Plano Real beneficiou PR, diz Ipardes
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 17 de junho de 1997
Cristine Pieske Curitiba 
O Paraná foi um dos Estados que mais lucraram com o Plano Real, que completa três anos de implantação em 1º de julho. O sucesso do plano vem funcionando como um chamariz para novos investimentos no País, e o Estado tem aproveitado essa nova onda. Com a abertura da economia, uma das principais âncoras do plano, o Estado transformou-se em um grande alvo de interesse de empresários estrangeiros. A agroindústria paranaense também cresceu, impulsionada pela expansão do poder aquisitivo e aumento no consumo de alimentos.
Este é o resultado do balanço dos três anos do Plano Real, feito pelo economista Gilmar Mendes Lourenço, do Grupo de Conjuntura do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes). O estudo também aponta o Paraná como um dos Estados beneficiados com o deslocamento do crescimento do pólo industrial brasileiro.
Depois do Real, a maior parte das indústrias, que antes mantinha suas sedes na Região Sudeste, passou a migrar para o Centro-Sul do País, entre elas, a região metropolitana de Curitiba. Não somos uma ilha de prosperidade, mas estamos tirando proveito da mudança da economia, diz.
O economista discorda que a atração de empresas para o Paraná tenha sido feita apenas pelos incentivos fiscais, mas sim pelas características que o Estado possui. Com a estabilidade da economia, trazida pelo Real, o economista explica que os investidores passaram a valorizar pequenos diferenciais entre as várias regiões do País. O que pesou a favor do Estado, afirma Lourenço, foi a posição estratégica em relação ao Mercosul e a infra-estrutura das cidades-pólo. Isto foi importante na decisão dos estrangeiros, acredita.
O economista do Ipardes também nega que o Estado possa sair perdendo com as facilidades oferecidas às montadoras, que tiveram prorrogação do prazo de pagamento do ICMS. No caso da Renault, que tem seu protocolo de instalação mantido em segredo pelo governo, Lourenço comenta que as facilidades oferecidas pelo Estado terão reflexos positivos e multiplicadores na economia. Segundo o economista, a isenção de juros no pagamento parcelado de ICMS, oferecido pelo governo, deverá corresponder a menos de 3% da arrecadação anual do imposto. É uma perda insignificante perto do crescimento que o Paraná terá, aposta.
Mesmo com estas projeções de crescimento, Lourenço discorda do aumento do percentual de participação do Paraná no PIB brasileiro. No início da semana, os jornais divulgaram uma pesquisa que projeta o Estado como o terceiro mais rico do Brasil a partir do ano 2002. Para o economista, a participação do Estado no PIB só deverá passar para 7% daqui há dez anos. Mesmo assim, estamos crescendo mais do que a média brasileira, afirma.


