O fôlego do Plano Real está praticamente esgotado e sua continuidade depende das reformas constitucionais. Essa é a opinião do deputado federal Roberto Campos (PPB-RJ), que participou ontem do encerramento da Conferência Internacional para Integração e Desenvolvimento, em São Paulo. Segundo Campos, o plano durou mais do que ele esperava, mas agora ele enfrenta o impasse de conter o déficit externo.
‘‘É perigoso adiar as reformas. Sem elas, o plano pode durar até as eleições, mas o Brasil estará condenando a um crescimento menor do que necessita’’, afirmou. Campos criticou a proposta de convocação de um Congresso revisor, caso o governo não consiga aprovar as reformas até o final deste mandato de Fernando Henrique Cardoso.
Para o deputado, um Congresso revisor criaria um clima de instabilidade, abrindo espaço para que, no futuro, novas alterações derrubassem as mudanças realizadas. ‘‘O governo tem que se empenhar para fazer as alterações agora e, depois, ir aperfeiçoando as medidas.’’
Roberto Campos também disse ser contra uma minidesvalorização do câmbio. Segundo ele, a medida poderia causar o aumento da inflação, além de desviar a atenção do País das reformas estruturais necessárias. O deputado acredita que o governo tem sido lento na condução das reformas e que a discussão da reeleição atrapalhou as votações no Congresso Nacional.
Durante o debate promovido ontem pela organização da conferência, Campos afirmou que o País necessita ainda de uma flexibilização das leis trabalhistas atualmente vigentes.
O economista José Pastore, da USP (Universidade de São Paulo), que participou da conferência pela manhã, também defendeu a flexibilização das regras trabalhistas. Pastore disse que não há provas de que a tecnologia elimina empregos. Ele considera que a rigidez da legislação trabalhista influencia mais o desemprego. ‘‘Quando enfrenta leis trabalhistas rígidas, a tecnologia destrói empregos. Quando as regras são flexíveis, ela cria postos’’, comparou.
Pastore citou os exemplos dos Estados Unidos e da França. Segundo ele, os dois países possuem alta tecnologia, mas o desemprego nos Estados Unidos, de cerca de 5%, é quase um terço menor que o da França (13%). ‘‘Na Europa, leis e contratos de trabalho são pouco flexíveis, o que impede a criação de empregos. Isso não tem nada a ver com tecnologia’’, disse.

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