Plano perdeu fôlego, diz Campos
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quarta-feira, 02 de julho de 1997
Agência Folha São Paulo 
O fôlego do Plano Real está praticamente esgotado e sua continuidade depende das reformas constitucionais. Essa é a opinião do deputado federal Roberto Campos (PPB-RJ), que participou ontem do encerramento da Conferência Internacional para Integração e Desenvolvimento, em São Paulo. Segundo Campos, o plano durou mais do que ele esperava, mas agora ele enfrenta o impasse de conter o déficit externo.
É perigoso adiar as reformas. Sem elas, o plano pode durar até as eleições, mas o Brasil estará condenando a um crescimento menor do que necessita, afirmou. Campos criticou a proposta de convocação de um Congresso revisor, caso o governo não consiga aprovar as reformas até o final deste mandato de Fernando Henrique Cardoso.
Para o deputado, um Congresso revisor criaria um clima de instabilidade, abrindo espaço para que, no futuro, novas alterações derrubassem as mudanças realizadas. O governo tem que se empenhar para fazer as alterações agora e, depois, ir aperfeiçoando as medidas.
Roberto Campos também disse ser contra uma minidesvalorização do câmbio. Segundo ele, a medida poderia causar o aumento da inflação, além de desviar a atenção do País das reformas estruturais necessárias. O deputado acredita que o governo tem sido lento na condução das reformas e que a discussão da reeleição atrapalhou as votações no Congresso Nacional.
Durante o debate promovido ontem pela organização da conferência, Campos afirmou que o País necessita ainda de uma flexibilização das leis trabalhistas atualmente vigentes.
O economista José Pastore, da USP (Universidade de São Paulo), que participou da conferência pela manhã, também defendeu a flexibilização das regras trabalhistas. Pastore disse que não há provas de que a tecnologia elimina empregos. Ele considera que a rigidez da legislação trabalhista influencia mais o desemprego. Quando enfrenta leis trabalhistas rígidas, a tecnologia destrói empregos. Quando as regras são flexíveis, ela cria postos, comparou.
Pastore citou os exemplos dos Estados Unidos e da França. Segundo ele, os dois países possuem alta tecnologia, mas o desemprego nos Estados Unidos, de cerca de 5%, é quase um terço menor que o da França (13%). Na Europa, leis e contratos de trabalho são pouco flexíveis, o que impede a criação de empregos. Isso não tem nada a ver com tecnologia, disse.


