O empresário José Eduardo de Andrade Vieira foi um dos convidados para uma reunião, em 1986, com Dilson Funaro, ministro da Fazenda de José Sarney na ocasião. Em pauta, a discussão do audacioso Plano Cruzado - que em 1989 daria lugar ao Cruzado Novo -, a moeda que nascia para substituir o cruzeiro. A política era de congelamento de preços e salários e o cruzado nascia com três zeros a menos que a moeda anterior. Em 1989, a moeda já estaria fraca novamente e mais uma vez ganharia corte de três zeros.
Andrade Vieira recorda que o plano de Funaro nasceu fadado a não prosperar. ''O ministro nos pediu na reunião que disséssemos aos nossos clientes que o plano econômico era bom, como forma de fortalecer o cruzado. Mas, se fizéssemos isso, estaríamos mentindo aos nossos clientes'', relata o empresário.
Ele comenta que, para combater a inflação, é preciso zerar débitos e ter um estoque de suprimentos que garanta as necessidades da população. ''Porém, o governo não fez com que existisse nenhum desses dois fatores. Foi tudo tapeação'', completa.
Sobre o cenário econômico atual, o empresário comenta que o Brasil não cresce principalmente por conta da excessiva carga tributária. ''Com seus impostos e fundos, o governo toma a poupança da classe empresarial e também dos trabalhadores, os quais deviam ter dinheiro para financiar as necessidades básicas. Há uma inversão de valores: tira-se dos trabalhadores para fortalecer alguns grupos'', lamenta.
Para Andrade Vieira, que tem a experiência de ter ocupado a cadeira de senador e de ministro da agricultura e da indústria e comércio, é indispensável para o crescimento econômico que o país ''esteja comprometido com coisas sérias e não com a demagogia''.
''Tem que existir um controle orçamentário, a redução do custo da máquina governamental, redução da carga tributária. O próprio ato de fazer um plano econômico é uma atitude demagoga. Com controle orçamentário eficiente e balança comercial com superavit não é preciso fazer plano'', finaliza o empresário. (W.S.)

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