''Plano não vai impulsionar produção de grãos no País''
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quarta-feira, 14 de junho de 2000
Vânia Casado Curitiba 
O plano anunciado para a safra 2000/2001, não atendeu às expectativas das lideranças da agropecuária paranaense, que esperavam um volume de recursos maior para impulsionar a produção de grãos no País. Trata-se de um plano para manter a produção entre 80 e 82 milhões de toneladas de grãos, volume que vem se repetindo nos últimos 10 anos, concordam as lideranças. Agora, a principal reivindicação é que o governo cumpra a liberação dos recursos anunciados.
Apesar do volume de recursos ter ficado aquém do esperado, o secretário da Agricultura do Paraná, Antonio Poloni, destaca como positivas as medidas que privilegiam a Pecuária, que terá recursos para a renovação de pastagens. Segundo Poloni, o Paraná está reivindicando R$ 1,5 bilhão só para o custeio da safra de verão no Estado.
Por outro lado, ele frisa que foram bem recebidas as medidas que indicam a
renovação de programas setoriais como as linhas de crédito para modernização das máquinas agrícolas, Prosolo e Proleite. Poloni lembra que o fato de o governo apoiar com recursos novos programas como o de fruticultura, aquicultura e apicultura, prestigia reivindicações antigas dos produtores paranaenses desses segmentos.
O presidente da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Ágide Meneguette, criticou o fato de o governo, destinar recursos abaixo do que vinha sendo pleiteado pela Confederação Nacional da Agricultura, que era de R$ 17 bilhões. Com a escassez de recursos, Meneguette afirma que o produtor será obrigado a buscar o que falta no mercado, e os juros cobrados vão onerar os custos de produção, o que deve criar dificuldades sérias de competitividade para o produtor brasileiro no mercado externo, onde a competição está feroz, assinala.
Meneguette destaca que enquanto a produção de grãos está aumentando em outros países, o Brasil continua patinando em torno de 80 milhões de toneladas, há 10 anos. A produção de grãos está aumentando na Argentina, na Ásia, enquanto o Brasil não está se preparando para entrar nessa competição, insiste. Ele condenou o fato de o plano de safra não ter prestigiado setores como citricultura, cafeicultura e de produção de cana-de-açúcar.
Para o presidente da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), João Paulo Koslovski, o governo precisa cumprir o que promete. Ele também achou que os recursos anunciados são insuficientes, mas disse que os produtores querem que governo libere o que está anunciando. Isso porque no plano de safra anterior, o governo anunciou a liberação de R$ 13 bilhões e só aplicou R$ 9 bilhões.
Koslovski calcula que 30% das necessidades de custeio terão que ser captadas a juros de mercado, o que vai elevar o custo de produção das principais culturas. Ele lamentou que a reivindicação dos sojicultores paranaenses, que pediam a ampliação do custeio de R$ 60 mil para R$ 100 mil, à exemplo do que recebem os sojicultores do Centro-Oeste, não foi atendida.


