Curitiba - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os brasileiros devem encarar a crise mundial de alimentos como uma janela de oportunidade para o Brasil vender e produzir mais. ''O Brasil terá que vender quando o mundo quiser comprar'', a declaração foi dada durante o lançamento do Plano Agrícola e Pecuário 2008/2009, ontem em Curitiba, que contou com a presença do ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes e do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.
O Plano irá disponibilizar para a agricultura empresarial R$ 65 bilhões, sendo que R$ 45,4% bilhões serão a juros controlados com encargo finaceiro de 6,75% ao ano. A agricultura familiar terá R$ 13 bilhões. O total de R$ 78 bilhões é 12% acima do plano passado. As metas centrais do pacote são ampliar a produção, a reestruturação da dívida agrícola, a recomposição de estoques, a expansão do volume de recursos de crédito rural para o custeio e investimento, o fortalecimento da média agricultura e políticas de preços mínimos para alimentos essenciais.
A expectativa do governo é que próxima safra aumente 5%, atingindo 150 milhões de toneladas. Os investimentos também vão beneficiar a oferta de energias limpas, como o álcool e o biodiesel.
O presidente defendeu a idéia de que ''a solução para a queda dos índices de inflação é aumentar a produção agrícola e não conter o poder de compra das famílias, como pensam alguns'', diz. Ele também combateu a propaganda negativa do etanol brasileiro feito pelos países ricos. ''Eles nos culpam pela alta nos preços dos alimentos, mas não apontam o petróleo e os fertilizantes como os principais responsáveis pelo custo de produção. Os bancos que perderam dinheiro estão especulando com a crise dos alimentos'', rebateu.
Na abertura da cerimônia, Stephanes afirmou que o plano é um esforço do governo federal e não do ministério. Entre as novidades, está a criação do Fundo de Catástrofe que funcionará como um instrumento de resseguro em caso de desastres climáticos. O setor de seguro rural prevê investimentos de R$ 160 milhões que se utilizado integralmente, contemplará 72 mil produtores.
Nesta edição, uma linha de crédito de R$ 1 bilhão será destinada para financiar a recuperação de áreas degradadas. O governo contabiliza 70 mil hectares de terra nestas condições. A linha de crédito terá o limite de R$ 400 mil por contarto e 5,75% ao ano. ''Recuperar pastagens e reativar terras para a agricultura é uma forma de incrementar a produção e conter o desgaste na Amazônia'', avalia o ministro.
O presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Márcio Lopes de Freitas, cobrou da presidência a implantação do Programa de Capitalização para Cooperativas que prometido há alguns anos. ''O plano é bom, mas sentimos falta de questões mais direcionadas ao cooperativismo'', avalia.
O Governador do Paraná Roberto Requião disse que o plano deste ano impulsiona a pequena propriedade e ajuda o Brasil a não cair na mesma armadilha que a Argentina. ''Lá os pequenos arrendam terras aos grandes produtores e o país sofre com a falta de abastecimento''.
O governo federal anunciará hoje em Brasília o programa para a agricultura familiar. Em discurso, Lula exigiu que a produção deste setor seja o dobro. O plano prevê o finaciamento de 60 mil tratores com taxas anuais de 2%.
Esta foi a primeira vez que o Plano Agrícola e Pecuário foi lançado fora de Brasília. O evento aconteceu em Curitiba porque o estado do Paraná é o maior produtor de grãos do País.

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