Curitiba - A nova política industrial anunciada pelo governo federal no início desta semana não atende as expectativas das indústrias e do comércio do Paraná. Além disso, não deve trazer mudanças significativas para os brasileiros no curto prazo. A avaliação é de representantes da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), da Associação Comercial do Paraná (ACP) e de economistas ouvidos pela FOLHA.
O presidente da Fiep, Rodrigo da Rocha Loures, disse que a nova política industrial foi bem construída, mas ainda é insuficiente para alavancar a economia brasileira. ''O plano está bem fundamentado, alicerçado em inovação, investimento e exportação. No entanto, este trinômio fica inconcluso porque o ambiente macroeconômico não permite sua evolução: os juros são muito altos, a moeda nacional está supervalorizada, temos falta de infra-estrutura e excesso de burocracia'', avaliou.
Ele defendeu uma concentração de esforços para resolver esses gargalos. A primeira medida, disse, seria deixar de usar a política monetária como forma de conter a inflação. ''Para isso, o governo deve utilizar a política fiscal, o que significa reduzir os gastos públicos, e, ao mesmo tempo, aumentar o investimento em infra-estrutura'', ressaltou. Para ele, sem essa mudança de paradigma, o País poderá enfrentar uma séria crise em dois anos.
Ele acredita que os empresários não vão ter estímulo para exportar quando não há segurança de preço rentável. ''O governo tem que rever a política econômica que tem sido controlar a inflação usando os juros altos'', disse. Loures acredita que os setores beneficiados com a política industrial serão etanol, celulose e papel, carnes, calçados, agroindústria, madeira, móveis, construção civil e o segmento automotivo.
O coordenador do curso de Ciências Econômicas do Centro Universitário Franciscano do Paraná (Unifae), Gilmar Mendes Lourenço, acredita que em curto prazo, nada vai acontecer. ''A política industrial representa um conjunto de boas intenções que o governo resgatou daquilo que vinha definindo desde 2003'', enfatizou.
Na prática, ele acredita que, em médio e longo prazos, as medidas devem baratear o custo do investimento das empresas, o que vai estimular a aplicação de recursos em ciência e tecnologia. ''A política industrial é algo muito aquém das necessidades da economia brasileira. A nossa política econômica é anti crescimento porque tem como pilares juros altos e moeda valorizada'', disse.
Para ele, uma política industrial tem que ser mais abrangente para não beneficiar alguns setores em detrimento de outros.
A assessoria econômica da ACP avalia que a política industrial oferece, ao menos, uma sinalização de que o governo está começando a promover uma desoneração de tributos. A entidade defende uma política pública que atenda a todos os setores da atividade econômica. A longo prazo, a expectativa é que os preços dos produtos de setores que vão sofrer desoneração, fiquem mais baratos para o consumidor final.

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