Plano Diretor pode resolver problema das indústrias
Uma empresa de porte que queira se instalar em Londrina, com raras exceções, passará por uma 'via sacra' para encontrar o local apropriado para o empreendimento. São poucos parques industriais disponíveis e há falta de clareza sobre que tipo de empresa pode se instalar na cidade e qual o local mais apropriado para recebê-la. Para piorar, o Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Idel) dispõe de poucos terrenos para oferecer aos novos empreendimentos.
Esta falta de definição sobre quais os locais apropriados para os empreendimentos ficou patente durante uma discussão pública entre o prefeito de Londrina, Homero Barbosa Neto (PDT) e seu vice, José Joaquim Martins Ribeiro (PSC), que é presidente do Idel. Ribeiro negocia a vinda para Londrina de dois grandes empreendimentos, o grupo catarinense Angeloni, que adquiriu um terreno próximo ao Shopping Catuaí, na zona oeste da cidade e o Destro Atacado que adquiriu uma área de 36 mil metros quadrados na PR-445, próximo a faculdade Pitágoras. Os dois empreendimentos podem não ser efetivados por causa de uma lei aprovada em 2005, do ex-prefeito Nedson Micheleti (PT), que impede a instalação de empresas que gerem impactos urbanos em algumas áreas centrais da cidade. O líder do prefeito na Câmara, vereador Roberto Fu (PDT) está propondo a revogação da lei. Ribeiro é a favor. Barbosa Neto é contra.
A lei foi criada para impedir que o grupo Walmart se instalasse na Rua Quintino Bocaiuva sob a alegação de que provocaria um impacto urbano incompatível com a estrutura do local. Hoje a mesma lei impede a instalação dos grupos Angeloni e Destro a quilômetros do centro da cidade.
''A solução para a maioria desses problemas virá quando o Plano Diretor estiver aprovado'', diz o presidente da Câmara de Vereadores de Londrina, Gerson Araújo (PSDB).
O Plano Diretor que está sendo discutido na Câmara e com a sociedade organizada trata de oito temas: Perímetro Urbano; Zoneamento de Uso e Ocupação do Solo Urbano; Parcelamento do Solo Urbano; Sistema Viário; Código de Obras e Edificações; Código de Posturas; Código Ambiental e Preservação do Patrimônio Cultural. Destes, apenas o último já foi aprovado. Os demais estão nas comissões da Câmara sendo analisados.
''Esta falta de orientação é ruim para a cidade'', diz o presidente do Sindimetal de Londrina, Valter Orsi. ''Precisamos ter uma visão mais moderna sobre isso, principalmente sob o ponto de vista da indústria. É preciso que se definam com urgência as áreas industriais. A prefeitura deveria ter uma pré-análise de que tipo de empresa pode ser instalada em determinados locais. Praticamente toda a atividade industrial gera algum tipo de poluição. Umas mais outras menos'', diz Orsi.
O presidente do Sescap-Ldr, Marcelo Odetto Esquiante, afirma que é preciso definir a questão da destinação de áreas industriais urgentemente. Ele cita como exemplo uma grande indústria de agroquímicos que foi construída na zona leste de Londrina quando o local ainda era área rural. ''Anos depois de a empresa estar funcionando foi autorizado a construção de um bairro vizinho da empresa. Na mesma região convivem com moradores industrias de vários tipos. Sem este ordenamento, a cidade perde investimentos'', afirma Esquiante.
Segundo o presidente da Câmara, Gerson Araújo, hoje é discutido caso a caso toda empresa que deseja se instalar em Londrina. ''Não pode ser mais assim até porque se a regra não é para todos há sempre questionamentos na Justiça prejudicando ainda mais o processo. Estamos fazendo um esforço concentrado para entregar o mais rápido possível o Plano Diretor. É o melhor jeito de solucionarmos o problema'', disse Araújo.
Sescap-Ldr- Sindicato das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações, Pesquisas e Serviços Contábeis de Londrina





