Plano de recuperação judicial da Nutrilatina é aprovado por credores
Assembleia foi realizada na segunda-feira (30); alienação de ativos imobiliários e industriais serão as fontes de recursos para quitação das dívidas
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sexta-feira, 04 de outubro de 2019
Assembleia foi realizada na segunda-feira (30); alienação de ativos imobiliários e industriais serão as fontes de recursos para quitação das dívidas
Mie Francine Chiba - Grupo Folha 
Os credores da fabricante de suplementos Nutrilatina, de Curitiba, entraram em um acordo após o pedido de recuperação judicial feito pela empresa, em 2018. A informação foi divulgada essa semana pelos escritórios Grand Hill Consulting e Farracha de Castro Advogados, que assessoram a empresa no processo desde novembro de 2018.
Hoje, o valor da dívida da empresa é de cerca de R$ 103 milhões. Desses, R$ 48 milhões foram incluídos no plano de recuperação judicial. As instituições financeiras respondem por cerca de 80% dos débitos no plano. Em seguida, vêm credores diversos (fornecedores) e trabalhadores.
No plano, ficou definido que a alienação dos ativos imobiliários e industriais serão a fonte de recursos para quitação das dívidas. Os ativos correspondem à planta industrial que a Nutrilatina tem em Curitiba, de 33,4 mil metros quadrados. O leilão judicial dos ativos deverá ser realizado em um prazo de 180 dias.
O saldo disponível será direcionado primeiro para pagamento dos créditos não sujeitos à recuperação judicial, depois aos trabalhadores e o restante será diluído entre os demais de acordo com sua participação no quadro geral de credores. Os credores trabalhistas receberão 100% do seu crédito, sem nenhum deságio; as outras partes, como bancos, receberão conforme sua participação no quadro de credores.
O acordo também permitirá à Nutrilatina restabelecer o seu funcionamento, com fabricação terceirizada, informaram a Grand Hill Consulting e a Farracha de Castro Advogados. Conforme eles, a empresa de 30 anos de operação tinha um faturamento anual de R$ 200 milhões, quando estava no auge de sua atividade, em 2010.
Segundo Marcello Lauer, sócio da Grand Hill Consulting, responsável pela elaboração do plano e pela negociação com credores, a mudança dos marcos regulatórios da Anvisa que descentralizaram a competência da agência para as Vigilâncias Sanitárias dos municípios fez com que surgisse uma "enxurrada" de novos concorrentes. Aliado a isso, a alta inadimplência com a crise econômica e política e a alta dos insumos "desidrataram" o caixa da Nutrilatina, fazendo com que a companhia buscasse a recuperação judicial como a solução para a sua situação financeira.
O interesse da empresa teria sido propor um acordo que contemplasse a conjuntura interna da empresa, o interesse dos credores e o controle de legalidade do juízo. “A partir da análise dos fundamentos do mercado e da empresa propusemos à empresa um novo modelo operacional. O grande ativo da Nutrilatina é sua propriedade intelectual - capacidade de desenvolvimento de marcas e mercados – e não necessariamente os ativos industriais e físicos”, disse Lauer, por meio de nota.


