Sem lembrar dos problemas que envolvem a logística de escoamento dos produtos agropecuários através do Paraná, o governo federal lançou ontem, em Brasília, o Plano de Escoamento de Safra 2014/15, com ações integradas dos ministérios da Agricultura, Portos e Transportes. O objetivo é que as três pastas trabalhem em conjunto e evitem transtornos no momento do País exportar parte das 202 milhões de toneladas de grãos que estão previstas nesta temporada, incremento de 5% frente à safra passada. Só do complexo soja, principal item de exportação do agronegócio, a expectativa é enviar para o mercado externo um volume de 64,2 milhões de toneladas, 6,2% a mais do que o ano passado.
As medidas visam evitar os congestionamentos de veículos no corredor de acesso ao Porto de Santos, e melhorar as condições de transporte na região Norte. O pacote inclui melhorias na infraestrutura de corredores multimodais do chamado Arco Norte, em seis estados: Mato Grosso, Rondônia, Amazonas, Pará, Tocantins e Maranhão. Uma das principais ações é a "garantia de trafegabilidade na BR-163", entre Sorriso (MT) e Marituba (PA). "As obras da BR-163 estão em andamento e até 2016 os 136 quilômetros restantes estarão pavimentados", declarou, em entrevista coletiva, o ministro dos Transportes, Antonio Carlos Rodrigues. Vale dizer que tal pavimentação se refere à "colocação de cascalho em trechos de atoleiro e disponibilização de patrulhas de desencalhe (tratores) para o socorro de veículos.
Outro ponto significativo do plano de escoamento é o financiamento de 426 embarcações para operar nas hidrovias Madeira e Tapajós. Além disso, o trabalho promete a manutenção das demais rodovias do Arco Norte (BR-364, 174 e 158) e a dragagem do Rio Madeira, já finalizada em novembro do ano passado.
Em relação ao acesso ao Porto de Santos, o pacote prevê incremento da fiscalização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), melhoria de rodovias (duplicação da BR-060) e o incentivo do uso do modal ferroviário (por meio, por exemplo, da duplicação da ferrovia entre Campinas e Santos).
Já a Secretaria de Portos introduzirá, em "fase experimental", um "novo sistema de agendamento e sequenciamento de caminhões", chamado Portolog. Ele substituirá o atual sistema, chamado SGTC. O novo sistema permitirá, de modo mais eficiente, "antecipar informações sobre o volume de caminhões que se dirigem ao porto, permitindo o melhor planejamento das operações e o tratamento de situações de contingência".
De modo geral, os ministérios justificam o aporte na região Norte e Porto de Santos com o intuito de desafogar o escoamento onde a situação é mais drástica e dar novo fôlego a locais com potencial de embarque, como é o caso do Norte do País. A ministra Kátia Abreu, por exemplo, destacou o ritmo de crescimento da produção de grãos na região formada pelos Estados de Maranhão, Piauí, Tocantins, Piauí e Oeste da Bahia (Matopiba), classificada por ela como "última fronteira agrícola do mundo".
No Paraná, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab) preferiu não se manifestar sobre a exclusão do Estado do plano de escoamento, por considerar que era uma "questão mais voltada para o setor de logística". Já na Federação de Agricultura do Estado do Paraná (Faep), a assessoria de imprensa não conseguiu encontrar um representante da entidade para falar sobre o assunto antes do fechamento desta edição. (Com agências)

mockup