O racionamento de energia elétrica pode continuar em vigor depois de novembro, se prolongando inclusive até o ano que vem. O presidente da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE), ministro Pedro Parente, não descartou a manutenção do plano em 2002, apesar de considerar que a necessidade das medidas diminui muito com o programa emergencial de oferta de eletricidade que será anunciado nas próximas duas ou três semanas.
O ministro de Minas e Energia, José Jorge, em entrevista após solenidade no Palácio do Planalto, afirmou que algumas medidas já em vigor podem ser mantidas após novembro, tendo como objetivo a racionalização no uso de energia.
Nos primeiros dez dias do programa, divulgado ontem pela GCE, as chuvas ajudaram o governo e mesmo não atingindo os 20% determinados pelo governo, foi possível atingir a meta de armazenamento de energia nos reservatórios.
Até 10 de junho, os reservatórios no Sudeste armazenavam 0,31% a mais de energia que o previsto. No Nordeste, foi de 0,17%.
Parente reafirmou que ainda não há qualquer estudo sendo feito pela GCE para definir medidas de racionamento para o ano que vem. Segundo o ministro, a Câmara está avaliando o cenário de oferta de energia com a entrada em funcionamento de termelétricas e outras fontes emergenciais.
Outro fator considerado importante é o nível de chuvas previsto para 2002. Parente explicou que o programa atual termina com os reservatórios num nível muito pequeno acima do considerado seguro. Se não chover mais em 2002, o racionamento pode ser mantido para que os reservatórios possam encher.
Nos dez primeiros dias de racionamento, a maior parcela da economia de 16% obtida no Sudeste e de 18% no Nordeste foi feita pelos consumidores residenciais, que diminuíram o uso da eletricidade nos horários de picos. Parente disse que os indicadores que a GCE vem acompanhando mostram que a economia de energia vem aumentando. ‘‘Acredito que seremos capazes de chegar bem perto da meta de economia de 20% até o fim do mês e pelo menos até o fim de junho não vejo hipótese de haver apagões’’, disse Parente.

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