Procura-se: executivo intensamente competitivo para concorrer com Bill Gates na direção de uma empresa multibilionária que está sob vigilância estreita do Departamento da Justiça dos Estados Unidos. Talvez a situação nunca chegue a esse extremo. Talvez o tribunal de apelações ou a Corte Suprema dos EUA decidam em favor da Microsoft. Mas vamos supor que dentro de dois anos a proposta de divisão da Microsoft apresentada na semana passada pelo Departamento da Justiça e por 17 Estados seja colocada em vigor. Quem dirigiria a outra metade da Microsoft? A parte que Gates optasse por não comandar?
Podemos excluir Steven Ballmer, executivo-chefe da Microsoft, e outros funcionários de primeiro escalão no grupo – as ligações passadas que eles têm com Gates tornariam impossível evitar a impressão de que continuam trabalhando com ele, em lugar de contra seu ex-patrão. Isso se eles tiverem a disposição de enfrentar seu antigo líder.
Meu ponto é que o plano simplesmente não é prático. Deixando de lado o mérito da divisão, e as questões correlatas de decidir se estimulará a competição e beneficiará os consumidores – os tribunais decidirão isso –, acho muito difícil acreditar que o plano de divisão tenha sido criado com expectativas sérias de entrar em vigor.
Essa é também a opinião predominante entre importantes executivos. Embora só alguns poucos deles o tenham expresso em público, em particular eles não consideram que a divisão seja viável. Até mesmo entre os críticos mais ferrenhos da Microsoft há ceticismo quanto à proposta do Departamento da Justiça.

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