Plano da reforma agrária deixa ruralistas inquietos
PUBLICAÇÃO
sábado, 25 de outubro de 2003
Roldão Arruda<br>Agência Estado 
São Paulo Entre a liderança ruralista começa a crescer uma certa inquietação em relação Plano Nacional de Reforma Agrária (PNRA), que começa a ganhar contornos em reuniões no Ministério do Desenvolvimento Agrário. As reuniões, que acontecem em torno de uma proposta apresentada pelo economista e petista histórico Plínio de Arruda Sampaio, a pedido do governo, até agora foram restritas a técnicos do ministério e do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra). São tão fechadas que os assessores de imprensa do ministério chegam a negar que estejam ocorrendo.
O que inquieta os ruralistas é que até agora não foram ouvidos. ''Só espero que eles não estejam pensando em nos apresentar o plano depois de pronto'', diz o presidente da Sociedade Rural Brasileira, João de Almeida Sampaio Filho. ''Isso seria uma negativa das promessas feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos ruralistas, de que tudo seria amplamente debatido com todos os setores interessados e envolvidos com a questão.''
Sampaio Filho reconhece que até agora só existe uma proposta. Mas argumenta que os ruralistas deveriam ter sido ouvidos durante sua elaboração. ''Não sei se o Plínio, que eu só conheço de nome, sabe o que pensam todos os lados envolvidos. Acho que teria sido melhor ouvir mais gente.'' Para o presidente da Sociedade Rural, é importante que uma questão polêmica como a reforma agrária seja tratada com o máximo de transparência.
O coordenador de Assuntos Fundiários da Federação da Agricultura no Estado de São Paulo (Faesp), Almir Soriano, também reclama do fato de as lideranças ruralistas não terem sido consultadas, ao mesmo tempo que manifesta temores em relação à proposta apresentada. ''Do pouco que soube da proposta, por meio da imprensa, temo que possa causar uma desestabilização no direito de propriedade.''
Por outro lado, os coordenadores do Movimento dos Sem-Terra (MST) têm manifestado tranquilidade em relação ao futuro plano e já começam a conclamar a sociedade a se mobilizar para defendê-lo. Na quarta-feira, durante a cerimônia de lançamento da Frente Parlamentar pela Reforma Agrária, na Assembléia de São Paulo, um dos coordenadores da entidade, Delwek Matheus, disse que estava retornando de uma reunião com o professor Plínio e fez uma previsão: ''Assim que ele for anunciado pelo governo, haverá uma forte reação da direita. Mas nós temos que defendê-lo, pois sem ele não será possível fazer a reforma agrária.''
O professor Plínio considera as reações precipitadas. De acordo com suas informações, tudo que existe até agora é uma proposta, que está sendo analisada por técnicos do Incra. Mais tarde será encaminhada ao presidente Lula a quem caberá abrir o debate nacional sobre o assunto, com todos os setores envolvidos. O que está nas mãos dos técnicos, por enquanto, não passa de um ponto de partida. ''Na hora certa todos serão ouvidos'', diz.


