Oswaldo Petrin
De Londrina
Elevar a produção de trigo dos atuais 2,3 milhões de toneladas para 5 milhões de toneladas, em três anos, e obter uma economia de US$ 400,00 milhões/ano. Aumentar o consumo de derivados dos atuais 58 kg/per capita/ano para algo que se aproxime do consumo argentino (91 kg/per capita/ano). São algumas das propostas da Associação Brasileira da Indústria Moageira de Trigo (Abitrigo).
O projeto para uma nova triticultura foi apresentado em Londrina, segunda-feira à noite, pelo presidente da Abitrigo, Roland Guth, na conferência de abertura do Seminário Técnico do Trigo promovido pelo Iapar e Embrapa com apoio de outras instituições e empresas. Falando a um público formado de técnicos, empresários e lideranças, Guth apontou problemas e soluções para a cadeia produtiva do trigo. No final, defendeu a implantação de salvaguardas para o trigo e farinha nacionais. Na mesa principal, representantes da ciência e tecnologia e o presidente da Sociedade Rural do Paraná, Francisco Galli.
Na mesma solenidade, o diretor geral da Secretaria da Agricultura, Norberto Ortigara, defendeu maior liquidez para o agricultor, e o presidente do Iapar, Florindo Dalberto, observou que nos momentos de dificuldade da cultura as instituições de pesquisas assumem a dianteira para reverter o quadro. E comparou com o que aconteceu no caso do café no Paraná: quando tudo parecia perdido a solução veio da pesquisa.
Ontem de manhã, no Centro de Difusão de Tecnologia do Iapar, onde se realiza o Seminário, a conferência do presidente da Abitrigo foi muito comentada. Roland Guth acena com uma ‘‘virada’’ na atual situação do trigo, que analisou da produção ao consumo. O chefe do Centro Nacional do Trigo, Benami Bacaltchuk, acredita na remoção do ranço entre setores da produção e indústria.
O projeto da Abitrigo prevê, simultaneamente, um programa de melhoria da qualidade dos derivados, que deve envolver a Associação Brasileira da Indústria de Panificação. A matéria-prima para o pão melhorou muito e daqui para frente o esforço é no sentido de envolver todas as etapas, desde a confecção do pão, gerenciamento, etc.
Entre as propostas da Abitrigo ‘‘Fora da Porteira’’, Guth aponta entre outros itens a introdução na safra deste ano do mecanismo da CPR, negociada em mercado futuro, e gestões políticas integradas envolvendo órgãos do segmento trigo, Congresso Nacional e governo, para implantar obras de infra-estrutura visando reduzir o custo Brasil. ‘‘É preciso deixar claro à sociedade, que a perda da competitividade não é somente de responsabilidade dos produtores e industriais’’, disse.
Guth dá alguns exemplos. O frete rodoviário entre Paraná e São Paulo custa US$ 18,00/tonelada; entre o Rio Grande do Sul e São Paulo, US$ 27,00/t. No entanto, o frete marítimo entre Argentina e São Paulo fica em apenas R$ 16,00/t.
Lembrou que a Argentina, como exportador de grãos, está preparando sua infra-estrutura portuária de baixo custo. A estadia média dos navios no porto caiu de 7 para 2 dias. A capacidade de embarque cresceu de 26 mil t/hora par 36 mil t/h. A capacidade de armazenamento portuário cresceu de 2,1 milhões para 3,6 milhões de t. Antes, ao defender salvaguardas, Guth lembrou que o Chile anunciou que adotará salvaguardas nas importações de trigo, aplicando sobretaxas da ordem de 30%.
Genética Embora reconheça ter havido evolução na busca de melhores variedades, Guth observa que ainda há problemas. Citou a germinação da espiga, em algumas variedades, que afeta a qualidade do produto final. Outras variedades podem apresentar falta de força de glúten na panificação, um problema dos solos não ácidos do Norte do Paraná. Se as plantas não absorvem bem os nutrientes minerais (ocorre quando o excesso de chuva carrega os fertilizantes) o efeito disto é a falta de consistência de glúten. Já em terras com acidez - alto teor de alumínio - há problemas quanto à qualidade para massas e panificação. A matéria-prima acaba sendo ideal para biscoitos. Mas reconheceu que a pesquisa está buscando respostas para essas dificuldades.
Tanto Roland Guth quanto o chefe da Embrapa Trigo, Benami Bacaltchuk, acham que o processo produtivo também deve passar por mudanças para atingir o potencial de produtividade de 4 mil a 5 mil kg/ha (média atual de 2 mil kg/ha).
O produtor de sementes Rodiger Boye, de Sertanópolis, considera ‘‘um avanço e um estímulo’’ a posição da indústria, através da Abitrigo. ‘‘Sob o comando de Guth, que além de produtor é industrial consciente, tem tudo para dar certo’’, disse. Mas Boye fez uma observação: ‘‘É preciso lembrar que a indústria sempre acenou com preços diferenciados e outras medidas de apoio à produção. Só que isto ela faz na hora de plantar; quando vem a colheita a indústria muda de idéia e prefere o trigo argentino, alegando concorrência. Com Guth na Abitrigo esperamos mais ação e que realmente haja uma boa parceria’’, afirma Boye.Em três anos País pode produzir 5 milhões de toneladas de trigo e aumentar o consumo interno
César AugustoRoland Guth: Virada na triticultura nacionalSEMINÁRIO TÉCNICOAbertura do Seminário do trigo em Londrina: plano da Abitrigo deixa técnicos mais esperançosos

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