Plano beneficia 370 mil produtores rurais no PR
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quinta-feira, 03 de julho de 2008
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
Do total de R$ 78 bilhões previstos pelo Plano Agrícola e Pecuário 2008/09, lançado ontem em Curitiba pelo presidente Lula, cerca de R$ 10 bilhões devem ficar no Paraná. A previsão é que o pacote beneficie cerca de 370 mil produtores rurais paranaenses, dos quais 200 mil ligados à agricultura familiar. Estes pequenos produtores devem ficar com R$ 1,5 bilhão, enquanto o restante (cerca de R$ 8,5 bilhões) deverá beneficiar a agricultura empresarial. Historicamente, o Paraná tem abocanhado entre 10% e 12% do total liberado pelo governo federal para os planos safra.
As regiões que mais tomam crédito agrícola na agricultura familiar é o eixo Cascavel-Guarapuava, seguido pelo Sudoeste e Norte Pioneiro. Na agricultura empresarial, os financiamentos ocorrem mais nas regiões dos Campos Gerais, Cascavel, Toledo, Campo Mourão, Londrina e Maringá. A previsão do secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Valter Bianchini, é que este pacote alavance em cerca de 5% a produção estadual na safra 2008/09, o que corresponde a 1,5 milhão de tonelada. ''A produtividade do feijão, do trigo e do leite, por exemplo, vai crescer mais, agora a produtividade da soja não há muito espaço para crescer porque o Paraná já tem um bom padrão tecnológico'', avalia.
Os números mostram que, apesar de o Estado ser o maior produtor de grãos do País, ainda há grande espaço para aumentar a produção, principalmente, nas regiões com menor produtividade. Com a utilização de tecnologia eficiente, auxílio da assistência técnica e da extensão rural e uso de insumos, a produção de feijão poderia expandir em 90%, que é a diferença entre a maior e a menor produtividade. Já o milho teria potencial de expansão entre 35% e 40%; o trigo entre 25% e 35%; e a soja de 13% a 15%. ''A produção paranaense pode aumentar verticalmente, há espaço para todas as culturas'', salienta Francisco Nestor Simioni, chefe do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento.
Para o secretário Bianchini a agricultura familiar será bastante beneficiada com o crédito para investimentos, como a compra de tratores e de maquinários para ordenha mecânica, no caso da pecuária leiteira. ''Neste caso os juros são de 2% ao ano e este programa é semelhante ao já lançado aqui pelo governo estadual. Com certeza este plano irá contribuir para aumentar a produtividade da agricultura familiar'', observa. As apostas do governo também estão no aumento da produtividade pecuária e do rebanho. ''Tivemos um forte abate de matrizes. Agora com os bons preços acreditamos que os pecuaristas vão voltar a investir na atividade e aumentar o confinamento'', avalia.
O Estado tem cerca de 200 mil propriedades de atividade pecuária distribuídas em 6 milhões de hectares. A média varia entre 1,5 e 2 unidades animal por hectare. O número está bem acima da média nacional, mas a estimativa é que possa chegar a três cabeças por hectare. Além disso, a expectativa é que os programas de financiamento contribuam também para a redução da área de pastagens degradadas, estimada em 35% do total. Estes locais estariam, principalmente, na Região Noroeste do Estado, onde o solo é arenito e, por isso, mais favorável à erosão. ''Estamos em um novo ciclo de preços altos. A tendência é que caia o índice de abate de matrizes com a valorização do boi gordo, mas o problema é que os custos subiram muito, somente o preço do sal mineral dobrou'', comenta Adélio Ribeiro Borges, médico veterinário do Deral.
AGRONEGÓCIO
Plano Agrícola e Pecuário 2008/09
- Os recursos para custeio e comercialização neste ano aumentaram 12% com relação a 2007;
- Os limites de crédito para a agricultura familiar variam de R$ 1,5 mil a R$ 100 mil;
- O prazo para pagamento varia entre 9 e 10 meses, que são 60 dias pós-colheita;
- Os juros para custeio variam de 1,5% a 5,5%; para investimentos as taxas vão de 1% a 5% ao ano;
- Para a chamada agricultura empresarial a taxa de juros varia de 6,25% a 6,75% ao ano;
- Para a agricultura empresarial há limites por cultura:
Soja: entre R$ 300 mil e R$ 400 mil
Milho: de R$ 450 mil a R$ 550 mil
Feijão, arroz, mandioca e sorgo: entre R$ 300 mil e R$ 400 mil
Cana-de-açúcar: R$ 200 mil
Pecuária bovina, bubalina, leite, corte, aves e suínos: de R$ 150 mil a R$ 200 mil
- Para o plantio de feijão há uma linha especial. Isso significa que se o produtor rural estourar o crédito para financiamento de outras culturas, poderá financiar mais recursos somente para o plantio de feijão. A partir deste financiamento a meta do governo federal é aumentar entre 30% e 40% a produção nacional de feijão;
- A dívida dos agricultores paranaenses é de cerca de R$ 6 bilhões; cerca de 110 mil agricultores estão sem crédito;
Fonte: Deral/Seab


