Plano Agrícola fica pronto até junho
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 12 de abril de 1999
Pedro Livoratti 
Até o mês de junho o grupo técnico responsável pelo novo plano agrícola do País deve concluir o estudo que apontará caminhos permanentes para o setor. O programa, já anunciado pelo ministro da agricultura, Francisco Turra, deverá estabelecer diretrizes básicas para o setor primário. A informação foi confirmada pelo diretor de crédito rural do Banco do Banco do Brasil, Ricardo Alves da Conceição, que esteve ontem em Londrina para assinar 60 convênios que prevêem liberação de crédito para produtores rurais que participam da Exposição Agropecuária. Pela manhã ele inaugurou a sala de agronegócios de Apucarana que vai atender a toda a região.
O governo quer sinalizar que existe um plano permanente de apoio ao setor, é uma maneira de dar fim às incertezas às vésperas de cada safra, afirmou o diretor. Segundo ele, que faz parte do grupo técnico, juntamente com representantes dos ministérios da Agricultura e da Fazenda, um dos programas que deverão permanecer é o Pronaf. De acordo com Alves, o programa financiou R$ 2,35 bilhões nos últimos 12 meses, totalizando 1 milhão de operações.
O diretor preferiu não adiantar maiores detalhes, mas confirmou que o plano deverá atacar problemas graves, que acabam interferindo na competitividade da produção agropecuária do País. Em um plano como este é preciso congregar esforços de outras áreas, afirmou Ricardo Alves.
Ele citou que entre os maiores problemas da agricultura estão infra-estrutura para escoamento de safra, tributação e concorrência com o mercado externo. A eliminação da defasagem cambial atenuou este problema, afirmou. O diretor disse estar convencido de que a reunião da última quinta-feira, em Brasília, entre os ministros da área econômica, agricultura e presidentes de bancos oficiais, serviu para valorizar o setor produtivo.
Toda a equipe de governo reconhece hoje a importância de continuar e ampliar o apoio ao setor. Trata-se de uma área que pode dar desenvolvimento, afirmou ele. Ele está convencido da viabilidade de aumento das exportações do setor, já divulgada pelo governo federal, e que prevê aumento dos atuais US$ 18 bilhões para US$ 45 bilhões, em quatro anos. Creio ser possível, desde que o ambiente seja favorável.
O diretor confirmou também que os recursos provenientes do Funcafé estarão à disposição dos agricultores a partir do próximo dia 1º de maio. Segundo ele, serão R$ 150 milhões. Os recursos serão disponibilizados corrigidos pela TJLP mais 3% ao ano. O diretor do BB disse também que o Paraná teve um crescimento de 21% no volume de recursos oficiais utilizados. No ano passado, o Banco do Brasil disponibilizou R$ 590 milhões contra R$ 720 milhões este ano.
Ontem pela manhã o diretor participou, em Apucarana, da inauguração da sala de agronegócios que vai atender a região do Vale do Ivaí. Segundo Alves, o Paraná tem sete salas e deverá encerrar o ano com 10. Nestes locais, montados sempre em parceria com prefeituras e entidades representativas dos produtores, é possível acessar a cotação das bolsas, leilões eletrônicos e até saber a previsão do tempo.
Ainda ontem a superintendência regional do BB de Londrina formalizou convênio com 60 empresas que estão expondo produtos na feira agropecuária e industrial. Segundo o superintendente regional, José de Mesquita Filho, foram disponibilizados R$ 6,5 milhões para a compra de equipamentos. Os contratos de financiamento prevêem juros fixos de 8,75% ao ano. No caso da compra de animais, o pagamento pode ser feito com carência de 12 meses.


