Planeta tem 1 bilhão de desempregados
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terça-feira, 26 de novembro de 1996
Agência Estado 
Já chega a 1 bilhão o número de pessoas desempregadas ou subempregadas em todo o mundo. O relatório O Emprego no Mundo, divulgado ontem pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), calcula que cerca de 30% de toda a mão-de-obra mundial esteja à margem do mercado de trabalho.
A situação da força de trabalho mundial é, no mínimo, sombria, advertem os técnicos da OIT no documento que faz duras críticas à teoria da desregulamentação do mercado de trabalho como a principal maneira de criar vagas. Também não consideramos correta a interpretação de que o processo de globalização seja responsável pelas altas taxas de desemprego mundial, acrescenta o informe da organização.
Para a OIT, contudo, a questão do desemprego tem ofuscado outra tendência no mercado de trabalho, igualmente inquietante, que é da crescente desigualdade salarial. Fica cada vez mais nítido o fosso entre os altos salários de uma minoria e os rendimentos em rápida deterioração da massa de trabalhadores, denuncia o documento. Aumenta o risco de os trabalhadores pobres, cada vez em maior número, agravar os problemas sociais e econômicos já descontrolados pelas altas taxas de desemprego.
Nos países ricos - aqueles que são membros da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) - o contingente dos desempregos é de 34 milhões de pessoas. O que indica que a maioria avassaladora dos subempregados e desempregados está nas nações em desenvolvimento da América Latina, África e Ásia, indica o relatório. As zonas urbanas da Argentina, Bolívia, Equador, Jamaica, México, Uruguai e Venezuela foram particularmente afetadas pelo fenômeno de desemprego nos últimos meses.
Numa demonstração de que considera perniciosa a filosofia que dá como inevitável o aumento do número de desempregados no mundo, a OIT renovou seu compromisso de continuar defendendo o conceito do pleno emprego, que deve ser o objetivo central das políticas econômicas e sociais de todos os governos.


