Planeje os gastos com o 13º
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Fernanda MazziniReportagem Local 
Fazer compras, pagar dívidas, poupar, viajar. Estas são algumas das opções de investimento do 13º salário, benefício recebido - e muito aguardado - pelos trabalhadores. No entanto, a crise financeira deflagrada há pouco mais de um mês já aponta para um cenário de recessão nas maiores economias mundiais, o que certamente vai respingar no Brasil. Por isso, antes de assumir dívidas ou simplesmente gastar todo o salário extra é precisar repensar e planejar melhor os gastos. ''Em momentos de crise cautela, poupar e fazer contas nunca é demais'', afirma Charles Vezozzo, professor de Finanças Corporativas e Pessoais da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Londrina.
Por lei a primeira parcela do 13º salário tem que ser paga até o dia 30 de novembro, enquanto a segunda parcela até o dia 20 de dezembro. Para os trabalhadores que já comprometeram todo o seu benefício, a primeira dica dos especialistas para empregar o salário é quitar dívidas, principalmente, aquelas que geram algum tipo de ônus ou que apresentam altas taxas de juros, como as do cheque especial e do cartão de crédito. ''Se o trabalhador tem contas em atraso o ideal é negociar e manter as dívidas em dia para fugir dos juros altos'', avalia o economista Joilson Dias, professor doutor da Universidade Estadual de Maringá.
Outra orientação é guardar parte do benefício. O primeiro argumento é que no início do ano (janeiro e fevereiro) há despesas fixas como o IPVA e o IPTU (impostos sobre propriedades de veículos e imóveis, respectivamente) e com escolas, como matrículas, materiais e uniformes. ''Além disso ninguém sabe a extensão da crise no Brasil, que deverá afetar a vida das pessoas. Muitas empresas já reduziram investimentos e isto pode gerar desemprego, embora os indicadores não mostrem isso'', diz Charles Vezozzo. Ele ainda lembra que é ''sempre aconselhável'' ter uma reserva e, por isso, as pessoas devem resistir ao consumismo.
Neste caso, o ideal é poupar em títulos de renda fixa, que são os que apresentam uma prévia do rendimento. ''Neste momento não deve-se especular. É melhor comprometer a rentabilidade, mas ter segurança'', observa Vezozzo. Na sua avaliação, o ideal é poupar entre 40% e 50% do 13º salário e reservar o restante para gastos com presentes, ceias, viagens e despesas do início do ano. Ele ressalva que a crise financeira já afeta as pessoas físicas porque as taxas de juros subiram e o crédito ficou mais escasso. Por isso, Joilson Dias afirma que o consumidor deve priorizar as compras com pagamentos à vista. Desta forma, as despesas estariam ''dentro do orçamento'' e o trabalhador não estaria sujeito a imprevistos.
''Compras de bens de consumo duráveis como carros e eletroeletrônicos não devem ser pagas com parcelamentos superiores a 12 meses. As economias terão mudanças, mas ninguém sabe ainda a sua dimensão. A crise financeira já está afetando a parte real da economia e poderá haver desemprego'', salienta Dias. Mesmo em parcelamentos, a sua orientação é que financiamentos ou prestações (inclusive o aluguel) não devem ultrapassar 35% do salário do trabalhador. Para Vezozzo, os consumidores devem ter um Natal com parcimônia e sem exageros. ''Se possível deve-se adiar projetos que envolvam gastos não essenciais'', comenta.
E neste quesito estão incluídas viagens de férias (tanto internacionais ou domésticas), trocas de carro e compras de imóveis. ''Quem planeja viajar pode fazer uma viagem mais barata. Isso porque há o 'efeito psicológico' e alguns preços já subiram, mesmo os não atrelados ao dólar e, por isso, pode elevar a inflação interna'', comenta o professor da PUC.


