Planejar é fundamental para ter filhos
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 23 de outubro de 2007
Giuliana Reginatto<br> Agência Estado 
Sapatinhos de lã no armário, revistas de decoração infantil pela sala, um sorrisinho bobo para cada criança do bairro. Não dá para disfarçar: o casal está à espera de um bebê. E, nessa hora, nenhum pensamento racional parece ser capaz de vencer a emoção de gerar uma vida. É por isso que os especialistas aconselham: comece a planejar seu filho de cabeça fria, anos antes de se comover com o primeiro choro.
''Um filho vai aumentar em 30% os gastos do casal. Assim, se a família vive no vermelho, é melhor adiar a gravidez. O casal deveria passar cinco anos poupando dinheiro para esperar o bebê. Uma família com orçamento de R$ 5 mil, por exemplo, deve tentar guardar R$ 1.000 por mês'', sugere o economista Luis Carlos Ewald, professor da Fundação Getúlio Vargas e consultor de finanças domésticas.
O administrador de empresas Márcio Iavelberg, sócio da Blue Numbers Consultoria Financeira, aconselha que o casal poupe 20% ao optar pela gravidez. Ele admite, contudo, que esta situação ideal é raríssima nos lares do País. ''Brasileiros são muito imediatistas. Gastam tudo que ganham - e a maioria gasta mais do que ganha. Não se pode viver no limite porque imprevistos acontecem. Certa vez, atendia recém-casados que estavam endividados e a mulher engravidou de gêmeos!''
Prever se a mulher ficará grávida de trigêmeos é tão difícil quanto acertar o sexo da criança. E isso provoca, sim, diferenças na calculadora familiar. ''É mais caro criar meninas. São mais ligadas à moda, aos cosméticos'', acrescenta Ewald. A vaidade delas custa ao bolso dos pais um acréscimo médio de 20% a 25% em relação aos garotos.
Autor do livro ''Sobrou Dinheiro - Lições de Economia Doméstica'' (Ed. Bertrand, já na 13 edição), Ewald avalia que uma família com renda mensal entre R$ 5 mil e R$ 6 mil deve desembolsar perto de R$ 550 mil por filho, do nascimento ao fim da faculdade. ''Para uma família de classe média abastada, com renda em torno de R$ 12 mil, disposta a gastar pelo menos R$ 800 por mês com um bom colégio, criar um filho vai custar R$ 1 milhão.''
A escolha da escola é tão decisiva para a formação da criança quanto para o caixa familiar. Estima-se que ela consuma 50% do valor destinado ao filho. ''Colégio particular deixou de ser exclusividade da elite'', lembra Iavelberg. De fato, segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, a participação da escola particular no ensino brasileiro passou de 13,6% em 1999 para quase 18% no ano passado. ''E prepare-se: se o filho quiser um intercâmbio, o custo vai para 15 mil, em dólares'', lembra Ewald.


