Houve um tempo em que o principal lazer de grande parte das famílias brasileiras era almoçar na casa dos avós no final de semana e dividir um litro de refrigerante. Hoje, muitas famílias consomem até dois litros de refrigerante por dia e reclamam que não sobra dinheiro para nada mais do que pagar as contas. A comparação reflete o ponto de vista do escritor e consultor financeiro Gustavo Cerbasi - que ficou famoso ao divulgar como conquistou o seu primeiro milhão de reais aos 31 anos de idade - acerca do consumismo desenfreado que faz muita gente viver endividada sem priorizar o planejamento financeiro a longo prazo.
Cerbasi esteve em Londrina ontem para lançar os livros ''Cartas a um Jovem Investidor'' e ''Investimentos Inteligentes - para consquistar e multiplicar o seu primeiro milhão'', além de participar de um bate-papo com leitores no Colégio Universitário. No primeiro caso, o autor prepara a cabeça do investidor. No segundo, destrincha estratégias de investimento eficazes em vários mercados e fala das armadilhas.
O planejamento financeiro a longo prazo, segundo o consultor, deve ser o foco de quem pensa em ter uma vida financeira equilibrada. Em primeiro lugar, ele recomenda que se poupe entre 10% a 15% do salário e não caia na cilada de ganhar mais para consumir mais. ''Aumento de renda deve sugerir consumo, mas não na totalidade'', diz. ''O ideal é incorporar à sua vida, por exemplo, um plano de previdência privada. Não é o mais eficiente investimento, mas é o que melhor se adequa à maioria dos trabalhadores. Tem a melhor relação custo-benefício e tende a ser o mais vantajoso a longo prazo'', diz.
Quanto aos investimentos em ações na bolsa de valores e em imóveis, Cerbasi alerta que é preciso sempre pesquisar muito para saber em que terreno se está pisando. ''Antes de comprar ações é bom analisar se aquela empresa poderá estar bem nos próximos dez anos. No caso do imóvel, será que ele está localizado em uma região que valoriza a longo prazo? Imóveis na planta são boas opções, principalmente se você conseguir pagar e vender depois de dois anos e meio. Você vai estar incorporando de 15% a 20% ao seu patrimônio'', afirma.
Seja qual for o caso, ouvir sempre mais de um especialista e não sair ''garimpando sozinho'' é o ponto de partida para quem quer se tornar um bom investidor e, consequentemente, conquistar o primeiro milhão de reais. Para quem tem esta meta, só o exemplo de Cerbasi já serve como estímulo.
Formado em Administração, com mestrado em Administração e Finanças pela Universidade de São Paulo e especialização em Finanças pela Universidade de Nova York, ele conta que começou a mudar de vida com os planos para o casamento. Com dedicação mútua, o casal comprou o seu primeiro apartamento (à vista, por um bom preço, em um leilão) e logo depois vendeu o imóvel para investir todo o dinheiro em ações na bolsa. Em três anos, o capital de aproximadamente R$ 200 mil virou R$ 700 mil. ''Era o primeiro ano do governo Lula, quando a bolsa de dissolveu e as ações estavam uma pechincha. Aproveitamos bem o momento, mas estudamos muito para chegar até aí. Esse é um dos segredos'', contextualiza.
Hoje, aos 34 anos, Cerbasi tem pouco mais de 40% de seu patrimônio em ações, além de investir em imóveis e títulos públicos. Viaja divulgando seus livros -tem mais de cinco títulos -, possui uma empresa de consultoria, trabalha apenas quatro dias úteis por semana e tira férias de 60 dias por ano.

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