A chegada do mês de dezembro é sempre aguardada com muita alegria pelo comércio e por boa parte dos segmentos industriais. Com as festas de passagem de ano, o dinheiro volta a circular com força, oxigenando as contas bancárias dos trabalhadores e também das empresas.
Além do 13º salário que é pago aos trabalhadores, outros fatores contribuem para injetar dinheiro no mercado. Segundo informações do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócieconômicos (Dieese) estão sendo abertas mais de 15 mil vagas temporárias no comércio e na indústria no Paraná. É uma massa salarial considerável que passa a circular de mão em mão.
Mas não é só isso que está fazendo a alegria do comércio. No começo desta semana a Receita Federal do Brasil começou a depositar na conta dos contribuintes os valores referentes ao sexto lote das restituições do Imposto de Renda. É um valor importante, quase R$ 2 bilhões para 2 milhões de contribuintes.
Quando o dinheiro da restituição do Imposto de Renda e do 13º salário chega às mãos dos trabalhadores, os economistas sempre recomendam que o uso desta verba extra seja feito de forma racional. Eles sugerem que primeiramente sejam pagas as contas atrasadas e só depois o consumidor deve pensar em fazer novos gastos.
Para o presidente do Sescap-Ldr, Marcelo Odetto Esquiante, a recomendação do uso racional das verbas extras precisa ser absorvida também pelos empresários. ''Nos últimos 18 meses, a economia mundial, inclusive a brasileira, enfrentou uma crise muito grande. E há um número expressivo de empresas que deixaram algumas contas de lado para suportar os efeitos da crise. Com essa injeção de dinheiro, os empresários devem observar as mesmas recomendações que são feitas aos consumidores comuns. Se há impostos atrasados, aproveitem as oportunidades de refinanciamento que o governo está oferecendo e faça o Refis. Se há dívida com fornecedores, que renegocie. Agora se não há dívidas pendentes, o que hoje é uma raridade, o dinheiro extra pode ajudar no aumento de produção, renovação do maquinário e até para capital de giro'', recomenda Esquiante.
Entre os grupos que mais sofreram com a crise estão os pequenos e médios empresários. E este é o momento de colocar a casa em ordem, diz o diretor do Sescap-Ldr Jaime Junior da Silva Cardozo. Ele conta o caso de um cliente que viu o capital de giro da empresa ser consumido com a crise instalada desde o início do ano. ''Como as vendas começaram a reaquecer, ele precisou reforçar o estoque para enfrentar o final do ano. Mas, para isso, acabou deixando alguns impostos atrasar e emprestou dinheiro no banco. Recomendei que, logo que ele desovar o estoque, coloque imediatamente os impostos em dia e pague rapidamente o banco. No caso dos impostos, eles são corrigidos pela taxa Selic e nos bancos, os juros são o que todos conhecem. Não dá para brincar, pois de outra forma pode comprometer todo o esforço feito para recuperar um pouco do prejuízo provocado por este ano atípico'', comenta Cardozo.
Fonte: Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina - Sescap-Ldr

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