Planejamento faz terceiro setor crescer
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sexta-feira, 05 de agosto de 2016
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 

Mais de dez funcionários da multinacional alemã de software empresarial SAP vieram a Curitiba para transmitir a instituições sem fins lucrativos conhecimento sobre práticas consolidadas da companhia. Foram escolhidas quatro organizações da capital paranaense, que receberam a mentoria de colaboradores vindos da França, Cingapura, Estados Unidos, Alemanha e Filipinas, que atuam em áreas como vendas, finanças, marketing e pré-vendas. Durante 30 dias, os voluntários atuaram dentro das instituições em projetos para ajudá-las a melhorar seus processos e suas visões de negócio e aumentar o impacto econômico, social e ambiental que exercem sobre suas comunidades.
A ação, que se encerrou ontem em Curitiba, faz parte do programa global Sabático Social da SAP. Só esse ano, o programa visitou dez cidades de todo o mundo. Esta é a quarta vez que o Brasil é beneficiado pelo programa. Nas outras oportunidades, os voluntários visitaram Porto Alegre (duas vezes) e Recife.
"Cada vez mais o terceiro setor está se profissionalizando, e para ter crescimento sustentável, tem que ter planejamento, missão, visão, valores. A SAP pode dar à organização uma visão de negócio. Tem muitos gestores que não tiveram experiência no setor privado, E se a instituição não crescer, ela não pode ajudar mais pessoas", explica Luciana Coen, diretora de Comunicação Integrada e Responsabilidade Social Corporativa da SAP.
Em Curitiba, os voluntários da SAP atuaram em quatro instituições sem fins lucrativos: Elo Apoio Ambiental e Social, Universidade Livre para Eficiência Humana (Unilehu), Aliança Empreendedora e ASID Brasil. Segundo Luciana, as entidades do terceiro setor enfrentam dificuldades principalmente no que se refere à visão de processo para ganho de escala na gestão e ao planejamento de médio e longo prazo.
Sustentabilidade financeira
Coordenadora do Elo Apoio Ambiental e Social, que tem como uma das principais atividades a inserção de jovens aprendizes no mercado de trabalho, Cláudia Rodrigues Silva ressalta que organizações do primeiro, segundo ou terceiro setor seguem o mesmo modelo de administração. "Têm planejamento estratégico, metas a cumprir."
O prejuízo com a crise também atinge tanto empresas privadas quanto sem fins lucrativos. "O País está em um momento difícil na economia e as ONGs também passam por esse momento", diz Cláudia. As organizações, porém, sofrem ainda mais impacto por não terem fins lucrativos, fazendo com que a estruturação financeira nestes casos ganhe ainda mais importância. "O terceiro setor acaba tendo muito mais prejuízo financeiro porque não tem fins econômicos e tem custos e encargos assim como uma empresa."
Para a Elo, que estava em busca de implantar um projeto de sustentabilidade financeira, o contato com a global alemã trouxe novas maneiras de organizar suas áreas financeira e estratégica. "Como não recebemos recursos do governo, precisamos ter diferentes produtos. Vamos colocar em prática as orientações sugeridas e otimizar o processo de trabalho. Tínhamos diversas planilhas de Excel e SAP nos ajudou a concentrar tudo em um sistema único. A empresa também nos ajudou a fazer uma análise minuciosa de cada passo para desenvolver uma plataforma on-line com banco de talentos de jovens aprendizes."


