Planejamento é primordial para evitar dívidas
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domingo, 03 de janeiro de 2010
Luciano Balarotti<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Ano Novo que chega cheio de esperanças e planos também reserva dores-de-cabeça à maioria das pessoas, especialmente no planejamento financeiro. Tudo porque é no primeiro trimestre do ano que se concentram alguns dos principais gastos familiares, com tributos sobre propriedade de imóveis e veículos, viagens de férias, material e matrículas escolares, entre outros. Para evitar começar o ano no vermelho, economistas e administradores têm conselhos simples para o pagamento das contas e dívidas de forma a não comprometer o orçamento doméstico.
O controle rigoroso dos gastos é o primeiro passo para evitar surpresas com o acúmulo de contas do início do ano. Este é o conselho de Carlos Magno Andrioli Bittencourt, diretor do curso de Ciências Econômicas da Escola de Negócios da PUC-PR. Para ele, a administração do orçamento familiar deve seguir os mesmos critérios utilizados nas empresas.
''Se uma pessoa já estiver com seu orçamento comprometido, não é de uma hora para outra que ela irá resolver o problema. Mas, o primeiro passo é fazer um planejamento doméstico, colocando em uma planilha de computador ou mesmo em uma caderneta todas as fontes de renda e gastos mensais, para definir prioridades e controlar melhor os gastos'', resume o economista, que ressalta a importância de utilizar bem os recursos provenientes do 13º salário.
''Se temos uma renda extra no final de ano, temos por outro lado um aumento de gastos, com viagens, presentes, material escolar (eventualmente acompanhado da matrícula) e, principalmente, com tributos como IPVA e IPTU. Estes gastos podem desequilbrar o orçamento e ocasionar dívidas'', explica Bittencourt.
Para equacionar da melhor maneira o pagamento de dois dos ''vilões'' do planejamento financeiro familiar, o economista destaca que, se possível, o melhor é aproveitar os descontos para pagamento em parcela única. ''Certamente é mais vantajoso quitar o IPVA e o IPTU à vista, até porque nenhuma aplicação monetária tem rendimento que supere o desconto dado para o pagamento em parcela única. Mas isto só deve ser feito caso o pagamento integral dos impostos não contribua para o endividamento pessoal, especialmente se levar a pessoa a recorrer ao cheque especial ou ao cartão de crédito, porque os juros cobrados nestas duas modalidades ainda são muito altos no Brasil'', destaca.
Outro ponto que Bittencourt considera muito importante para a administração do orçamento familiar é o controle dos gastos no cartão de crédito. Para o economista, o ideal é que o consumidor, ao utilizar esta forma de pagamento, inclua o valor gasto imediatamente na planilha mensal, para saber exatamente o total a ser pago na próxima fatura. ''Também é importante estabelecer um limite mensal para o uso do cartão, dentro de um patamar que caiba no orçamento familiar, evitando dívidas'', complementa.
O cartão de crédito e o cheque especial, que cobram altas taxas de juros, devem mesmo ser usados com parcimônia e planejamento. É o que preconiza o também economista Cid Cordeiro, supervisor regional no Paraná do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócioeconômicos). ''O planejamento para os gastos extras do período que vai de dezembro a março, que é o mais complicado para o planejamento econômico familiar deveria ser feito ainda em novembro, quando a primeira parcela do 13º salário foi paga'', diz. Quem fez este planejamento, destaca o economista, vai ter a vantagem de usufruir dos descontos, que hoje não estão muito atraentes, para quitação à vista dos impostos. ''Caso não se tenha reserva financeira para isto, o melhor é parcelar o pagamento de tributos, evitando utilizar o cheque especial e, principlamente, contrair dívidas no cartão de crédito. Até porque, mesmo se a pessoa atrasar um pouco o pagamento dos tributos, os juros cobrados certamente serão menores do que os do cheque ou cartão''.
O conselho básico é o de sempre optar, caso o endividamento e a inadimplências sejam inevitáveis, pelo crédito menos custoso, com menor cobrança de juros. Esta conscientização, segundo Cordeiro, se ampliou no país a partir da queda da inflação e da estabilidade monetária com a adoção do Real. ''A gente tem observado que, com o decorrer dos anos e com a estabilização da economia, as famílias têm melhorado o seu planejamento. Mas, aquelas que ainda não se planejaram e não fizeram uma reserva, seguem tendo dificuldades, principalmente nesta época'', conclui.


