Arquivo FolhaDesmentidoO deputado Aécio Neves (PSDB/MG) anunciou que uma MP seria editada até amanhã, mas o porta-voz negouO Palácio do Planalto e líderes governistas divulgaram ontem versões diferentes sobre a reunião na qual foi discutido o novo valor do salário mínimo. O líder do PSDB na Câmara, Aécio Neves (MG), saiu do Palácio anunciando que o presidente Fernando Henrique Cardoso editará até amanhã medida provisória fixando o novo valor, que passará a valer a partir de 1º de maio. A informação teria sido dada pelo próprio presidente aos líderes do governo, em reunião para discutir a votação da reforma da Previdência. O salário mínimo, por esta versão, seria aumentado ‘‘pelo menos’’ em R$ 8,00, passando para R$ 128,00.
Uma hora depois, o porta-voz Sérgio Amaral garantiu que ‘‘o presidente não mencionou’’ o assunto e negou que tenha marcado data para assinar a MP. ‘‘Ele aguarda estudos da equipe econômica’’, disse. ‘‘Estou desmentindo’’, disse Amaral em relação às informações de Aécio.
O deputado foi claro: ‘‘Nós ouvimos do presidente a disposição de cumprir um dos principais compromissos de sua campanha eleitoral, de dobrar o valor salário mínimo até o final de seu mandato’’, contou Aécio ao sair da reunião. ‘‘O presidente decidiu antecipar de dezembro para maio este compromisso’’.
Neste ano eleitoral, a decisão do presidente de assinar a medida provisória antes do prazo em que é normalmente é editada - dia 1º de maio - pode ser interpretada como uma reação ao projeto do petista Paulo Paim (RS), que prevê um aumento do salário de R$ 120,00 para R$ 208,00. O deputado conseguiu 265 assinaturas de parlamentares, de forma a grantir prioridade para seu projeto na pauta de votações da Câmara.
O presidente da Câmara, Michel Temmer (PMDB-SP), convocou os líderes partidários para discutir o assunto ontem à noite. Temer buscava uma saída para evitar que o projeto seja votado e aprovado, o que levaria o presidente Fernando Henrique ao desgaste de ter de vetá-lo. ‘‘O Paim está é fazendo política’’, acusou Aécio. ‘‘Nós temos responsabilidade: estamos governando o País e não fazendo política’’, disse. ‘‘Essa reunião Planalto foi só para desarticular a votação do meu projeto’’, rebateu Paim.

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