Planalto nega novo pacote econômico
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segunda-feira, 25 de janeiro de 1999
Tânia Monteiro Agência Estado 
Assessores do Palácio do Planalto negaram ontem à tarde que o governo esteja preparando um novo pacote econômico. O presidente Fernando Henrique Cardoso estaria convencido de que é só ter paciência que o mercado se ajustará ao novo regime (de câmbio flutuante). A idéia do governo é promover ajustes, sempre que necessário, para corrigir rumos, mas mantendo a regra básica de câmbio livre. Mas, por enquanto, a palavra plano não faz parte do dicionário do governo, de acordo com essas mesmas fontes.
Para o presidente, é fundamental que todos os passos a serem dados sejam muito esclarecidos, e manter a postura de não adotar medidas estrondosas, que assustem a comunidade financeira internacional e a população. Fernando Henrique tem dito que nada será feito sem passar pelo Malan (ministro da Fazenda, Pedro Malan), já confirmado diversas vezes no cargo. O presidente não vai mais se dar ao trabalho de desmentir boatos sobre saída de Malan, disse ontem um importante assessor do presidente.
O presidente quer esclarecer à população como funciona o mecanismo de flutuação do câmbio, para que não haja sobressaltos a cada alta do dólar. O câmbio livre veio para ficar, insistiu um assessor presidencial. Segundo ele, o governo vai tomar as medidas necessárias para impedir a volta da inflação, punindo especuladores e estando atento as movimentações bruscas do mercado.
Seguindo nesta direção, o Banco Central tem que manter o sangue frio, mesmo que continue a haver evasão de dólares, como nos últimos dias. O presidente está convencido que logo esse quadro vai reverter e que a economia se estabilizará. Por isso, o governo não vai intervir.
Quanto à elevação dos preços, o presidente entende que o próprio mercado regulará isso. Quem aumentar os preços, assegura, não vai vender porque a população vai comprar no vizinho, que vende mais barato.
Esfriar botatos A tentativa do governo de reverter a crise de confiança que domina o País nas últimas semanas pretende contrapor a onda de boatos e suas consequências diretas nas decisões do mercado. Assessores da área econômica avaliam que o maior desafio a curto prazo é esfriar as especulações em torno de novas mudanças na política econômica que acabam gerando mais saída de dólares e inibindo o ingresso de recursos estrangeiros.
Um regime de câmbio livre e a ameaça de volta da inflação formam um terreno fértil para boatos inadmissíveis até menos de um mês atrás, afirmou uma fonte do Ministério da Fazenda. Nesse clima de instabilidade, acrescentou a mesma fonte, qualquer notícia, verdadeira ou não, influencia a taxa de câmbio. Eleva a taxa quando a informação é ruim e reduz se for positiva, completou.
Autoridades da área econômica previram dias atrás que vai demorar em torno de um mês para o País estabilizar a taxa de câmbio no novo regime de livre flutuação, que substituiu o sistema antigo de bandas.
Outro fato que dificulta a ação do governo na administração das expectativas é a existência de muitas variáveis envolvidas em qualquer decisão de mudança de política econômica. Uma das principais é o acordo firmado recentemente com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Hoje o Brasil não tem liberdade total para arbitrar sua política econômica, afirmou a fonte da Fazenda.


