Planalto injetará R$ 20 bi no BNDES
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quarta-feira, 23 de outubro de 2013
Sheila D'amorim<br>Folhapress 
Brasília - O governo vai injetar mais R$ 20 bilhões para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) operar este ano. Segundo o ministro Guido Mantega (Fazenda), depois da capitalização de R$ 15 bilhões, o banco de fomento controlado pela União receberá mais R$ 20 bilhões em empréstimo do governo federal. "Para terminar o ano, o BNDES precisará mais de R$ 20 bilhões e não há previsão para o ano que vem", afirmou o ministro.
Peça fundamental na agenda de concessões do governo, o BNDES foi alvo de críticas num relatório elaborado pela Organização para cooperação e desenvolvimento econômico (OCDE) sobre a economia brasileira. De acordo com o documento, entregue oficialmente ontem de manhã ao ministro Mantega pelo secretário-geral da organização, Angel Gurría, apesar de o crédito ter crescido no Brasil nos últimos anos, o financiamento de longo prazo continua escasso.
"Um maior desenvolvimento dos mercados de crédito de longo prazo tem sido prejudicado pela falta de participação privada, devido a uma situação de desigualdade causada pelo forte apoio financeiro ao banco nacional de desenvolvimento, que domina a concessão de empréstimos de longo prazo."
O ministro reagiu à crítica avaliando que isso "é passageiro". Segundo ele, "o BNDES recebe cada vez menos recursos" e "desde que os bancos privados voltem a financiar mais, o governo vai ter que atuar menos". E garantiu: "os bancos privados já estão voltando".
Gurría minimizou o tom do relatório. Ao lado ministro Mantega, em entrevista ontem na sede da Fazenda, disse que a situação foi adotada num momento de crise de crédito. Para ele, "agora, pode haver menor participação dos bancos públicos sem ter impacto na canalização do crédito na economia".
Desde a crise financeira mundial, no final de 2008, os bancos oficiais foram instrumentos importantes para o governo tentar evitar uma recessão na economia, diluindo os impactos para o Brasil. BNDES, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil atuaram fortemente na concessão de crédito seja para estimular o consumo ou o investimento. Atualmente, o BNDES está a frente da agenda de concessões do governo e participa ativamente no financiamento dos projetos.


