O presidente Fernando Henrique Cardoso decidiu cortar pequenas mordomias a que ele e seus funcionários tinham direito. Entre algumas medidas de enxugamento de gastos, ficou decidido que FHC e seus servidores não terão mais direito ao lanche servido no meio da tarde, que incluía frutas, sucos e sanduíches. Mesmo as visitas só receberam do presidente água e o tradicional cafezinho. A idéia é conseguir economizar de R$ 150 mil a R$ 170 mil por mês.
Além do fim do lanche, foram suspensas as viagens a serviço ao exterior e reduzidas despesas com telefone, água, luz, jornais diários e viagens. Segundo o diretor-geral de Administração da Presidência, Nilson Rebello, o presidente viajará menos e com um ‘‘staff’’ menor. Na última viagem a Portugal, por exemplo, apenas oito pessoas - entre assessores e seguranças - acompanharam Fernando Henrique, quando o normal eram de 15 a 20 pessoas.
O corte incluiu também a extinção das três barbearias instaladas no Planalto - uma na Segurança, outra no Setor de Transportes e a terceira no subsolo - que ofereciam serviços a preços reduzidos aos funcionários. O presidente, entretanto, continuará contando com a cortesia dos serviços de seu barbeiro particular, o senhor Raimundo, que atende no Palácio da Alvorada e faz questão de não cobrar nada.
Acabou também - exceto para Fernando Henrique e o vice-presidente Marco Maciel - o serviço de comissaria aérea nos vôos em aviões da Presidência com duração inferior a uma hora e 40 minutos, como as idas a São Paulo ou Rio de Janeiro.
A Presidência deixará ainda de subsidiar o almoço dos funcionários mais graduados, que exercem cargos em confiança. Além de substituir o tíquete alimentação por dinheiro (R$ 4,50/dia), elevou de R$ 7,00 para R$ 10,00 o preço da refeição diária no restaurante que oferece um ‘‘buffet’’ de saladas, pratos quentes e sobremesa. Esses funcionários também não terão mais serviços de manutenção e obras nos apartamentos funcionais onde moram.
Na circular distribuída aos 2,3 mil servidores da Presidência, o secretário-geral interino, ministro Eduardo Graeff, explicou que as medidas de contenção tomadas em novembro do ano passado foram insuficientes para reduzir os gastos com o custeio na Presidência. Em novembro, quando o País sofreu com os efeitos da crise asiática, os telefones do Planalto foram bloqueados para as ligações para celulares. O lanchinho, suspenso desde ontem, naquela época deixou de ter pães de mel.
Graeff justificou que a redução dos gastos visa ‘‘tornar o orçamento compatível com as medidas ora anunciadas, de modo a contribuir com o aprofundamento do ajuste das contas públicas’’. O orçamento mensal dos órgãos da Presidência varia de R$ 2,5 milhões a R$ 2,8 milhões.

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