O Palácio do Planalto acredita que somente na semana que vem será possível haver uma sinalização da real percepção do mercado sobre a nova política cambial adotada pelo governo. O presidente Fernando Henrique Cardoso passou o dia de ontem atento às movimentações do mercado, acompanhando a variação do câmbio. De acordo com interlocutores próximos a ele, ontem foi considerado o ‘‘dia d’’, já que segunda-feira foi feriado em São Paulo, e foi o primeiro dia de funcionamento pleno das bolsas, após as novas medidas de ajuste do câmbio - o câmbio único. No Planalto, a expectativa é de que o dólar encontre um ponto de equilíbrio em até 30% de desvalorização do real.
Fernando Henrique não se cansa de repetir, a todos que o procuram que, a cada salto do dólar, é preciso ter sangue frio e tranquilidade. O presidente insiste que as oscilações vão permanecer ainda por um tempo e lembra que ontem o dólar, que chegou a R$ 2, reverteu e assim continuará até se estabilizar em um valor considerado razoável.
Assessores palacianos atribuíam as variações de ontem aos especuladores de plantão. De acordo com esses auxiliares, já era prevista uma queda de braço durante todo o dia, mas salientaram que o governo esteve atento a cada movimentação. Lembraram, por exemplo, que durante a sabatina do presidente interino do BC, Francisco Lopes, no Senado, houve o pico de alta do dólar.
A reversão da cotação do dólar, na avaliação do Planalto, foi uma sinalização de que a decisão de manter o câmbio livre é correta porque isso será estabilizado com a regra de oferta e procura.

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