Plaenge compra construtora chilena
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quarta-feira, 15 de abril de 2009
Edson Pereira Filho<br>Reportagem Local 
O Grupo Plaenge parece seguir a risca o velho e surrado ditado de que é nas crises que se descobrem as grandes oportunidades. A maior empresa imobiliária do Sul do País, com sede em Londrina, acaba de adquirir a empresa chilena CVPSA, que passa a se chamar Plaenge Chile, sendo detentora de 51% do capital acionário. Nem bem fechou o negócio, os diretores do grupo brasileiro anunciam a construção de 1.381 mil unidades residenciais naquele país. O projeto habitacional atingirá nove cidades do Sul do Chile e representará para empresa cerca de R$ 200 milhões na venda de todas as unidades.
O diretor do Grupo Plaenge, Alexandre Fabian, contou que a empresa vinha estudando o mercado chileno de construção de imóveis desde 2006. Ele informou que executivos da empresa visitaram no Chile profissionais da área imobiliária, agentes financeiros, construtoras entre outros. Além disso, conheceram a fundo a legislação chilena para grandes projetos de construção de imóveis. ''No Chile, um empreendimento imobiliário não pode demorar mais de 30 dias para ser aprovado pela prefeitura. Caso o município não aprove neste período, o projeto, pela lei chilena, fica automaticamente aprovado'', destacou Fabian.
O executivo da Plaenge disse que o ponto alto na negociação se deu com a facilidade de crédito da empresa brasileira não só no Brasil, mas também no Chile. Segundo ele, CVPSA tinha dificuldades de empréstimos para novos empreendimentos. Pesaram ainda nesta transação, o fato da empresa brasileira ter entregue 128 empreendimentos no Brasil, sem atrasos, além do histórico de atuar no setor de construção de imóveis há 39 anos.
Fabian contou que há 20 anos o Chile tem um programa habitacional sofisticado, priorizando e facilitando a construção de moradias naquele país. Além deste aspecto, o diretor apontou o fato do país estar, em termos comparativos, 10 anos vivenciando uma situação econômica invejável. Segundo ele, a taxa de juros no Chile não utrapassa o percentual de 3,5%, semelhante a de países europeus. ''É um país (Chile) bem organizado, civilizado e que dá oportunidade para que investidores de fora tenham tranquilidade e garantias para investir'', destacou.
O diretor prevê que os investimentos chilenos renderam novos negócios não só naquele país, mas devem proporcionar a ampliação de novos empreendimentos no Brasil. Fabian lembrou que há 26 anos a empresa investe fora de Londrina, precisamente em Cuiaba (MT), quando ainda não havia internet, não havia fax e os custos de toda operação eram muitos altos. Segundo ele, outros investimentos no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, além do Paraná, possbilitaram a empresa criar uma massa crítica para investir em outros mercados.
Outro dado relevante, segundo o diretor, é que o conservadorimso da empresa em momentos de grande liquidez no mercado em anos anteriores, possibilitaram nesta fase de crise internacional, que a empresa buscasse oportunidades. ''O nosso negócio é venda e construção de apartamentos, levamos a sério o dinheiro de nossos clientes, inclusive prevendo crises. Nossos empreendimentos abrigam hoje 35 mil pessoas'', pontua.
Fabian disse as negociações com a empresa chilena começaram a ser fechadas no final de outubro do ano passado. ''Não posso dizer o quanto pagamos para a aquisição da maior parte do capital acionário porque isto é uma exigência do contrato com os chilenos'', ressalvou.


