Cerca de 92% dos pisos salariais dos brasileiros que trabalham na indústria, comércio, serviços ou área rural sofreram reajuste acima da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado desde a última data-base de cada categoria. O INPC é o indicador mais utilizado nas negociações salariais entre sindicatos e empresas. O levantamento realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), iniciado em 2006, avaliou 671 pisos, sendo que os setores elencados tiveram aumento dos salários da seguinte forma: indústria (94,1%), comércio (94,8%), área rural (86,8%) e serviços (86,8%). No Paraná, foram avaliados 56 pisos (8,3% do total) das mais variadas categorias.
Apesar do aumento geral, o maior percentual de aumento - por volta de 121 pisos (18%) - tiveram um crescimento acima do INPC de 1,01% a 2%. Para ganhos mais substanciais, acima de 6%, o número de pisos acaba sendo mais modesto, por volta de 85 (12,7%).
Boa parte dos pisos avaliados fica na faixa entre R$ 550,01 e R$ 750, algo em torno 56,3%. De acordo com o coordenador de relações sindicais do Dieese, José Silvestre, o crescimento na média brasileira acaba também sendo similar ao que acontece no Paraná. Na região Sul, o piso salarial médio ficou em R$ 692 (maior entre todas as regiões do País), sendo o maior encontrado a R$ 1.710 e o menor a R$ 545. ''Os resultados do levantamento são muito influenciados pelo ganho real do salário mínimo'', relata ele.
Em comparativo com 2010, Silvestre comenta que o número percentual dos pisos acima da inflação foi bem similar ao que ocorreu em 2011. Porém, quando os resultados são ''fatiados'' por categorias , o levantamento aponta que os trabalhadores tiveram um aumento bem mais interessante no ano retrasado. ''Em 2011, 19% dos pisos tiveram aumento 5% acima da inflação, enquanto em 2010 foi de 34%'', compara ele.
A justificativa para um aumento menor em 2011 está no fato do salário mínimo não ter tido ganho real neste período. Em 2010, o ganho real foi de 6%. Além disso, o coordenador do Dieese salienta também que a economia brasileira no ano passado deu uma desaquecida geral, com um crescimento menor do PIB e maior no que diz respeito à taxa de inflação. ''Como a grande maioria dos trabalhadores, principalmente do comércio, possui o piso próximo ao salário mínimo, quando não acontece um ganho real, o reajuste não ocorre.''
No comércio, inclusive, a maior parte dos ajustes foi bem modesta. Perto de 21,6% deles aconteceram de 2,01% a 3% acima do INPC, já os serviços tiveram 24,2% dos aumentos entre 0,01% e 1% sobre a inflação.
Já no setor industrial, graças à força sindical e também à distância dos valores pagos da média do salário mínimo, os trabalhadores acabam tendo maior força no momento da negociação salarial. ''Com a tradição dos sindicatos e seu alto poder de barganha com as empresas, geralmente as pessoas ligadas ao setor acabam conquistando grandes melhorias no salário'', complementa Silvestre.

Imagem ilustrativa da imagem Pisos salariais aumentam acima da inflação
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