Pisos salariais aumentam acima da inflação
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 12 de julho de 2012
Victor Lopes <br> Reportagem Local 
Cerca de 92% dos pisos salariais dos brasileiros que trabalham na indústria, comércio, serviços ou área rural sofreram reajuste acima da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado desde a última data-base de cada categoria. O INPC é o indicador mais utilizado nas negociações salariais entre sindicatos e empresas. O levantamento realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), iniciado em 2006, avaliou 671 pisos, sendo que os setores elencados tiveram aumento dos salários da seguinte forma: indústria (94,1%), comércio (94,8%), área rural (86,8%) e serviços (86,8%). No Paraná, foram avaliados 56 pisos (8,3% do total) das mais variadas categorias.
Apesar do aumento geral, o maior percentual de aumento - por volta de 121 pisos (18%) - tiveram um crescimento acima do INPC de 1,01% a 2%. Para ganhos mais substanciais, acima de 6%, o número de pisos acaba sendo mais modesto, por volta de 85 (12,7%).
Boa parte dos pisos avaliados fica na faixa entre R$ 550,01 e R$ 750, algo em torno 56,3%. De acordo com o coordenador de relações sindicais do Dieese, José Silvestre, o crescimento na média brasileira acaba também sendo similar ao que acontece no Paraná. Na região Sul, o piso salarial médio ficou em R$ 692 (maior entre todas as regiões do País), sendo o maior encontrado a R$ 1.710 e o menor a R$ 545. ''Os resultados do levantamento são muito influenciados pelo ganho real do salário mínimo'', relata ele.
Em comparativo com 2010, Silvestre comenta que o número percentual dos pisos acima da inflação foi bem similar ao que ocorreu em 2011. Porém, quando os resultados são ''fatiados'' por categorias , o levantamento aponta que os trabalhadores tiveram um aumento bem mais interessante no ano retrasado. ''Em 2011, 19% dos pisos tiveram aumento 5% acima da inflação, enquanto em 2010 foi de 34%'', compara ele.
A justificativa para um aumento menor em 2011 está no fato do salário mínimo não ter tido ganho real neste período. Em 2010, o ganho real foi de 6%. Além disso, o coordenador do Dieese salienta também que a economia brasileira no ano passado deu uma desaquecida geral, com um crescimento menor do PIB e maior no que diz respeito à taxa de inflação. ''Como a grande maioria dos trabalhadores, principalmente do comércio, possui o piso próximo ao salário mínimo, quando não acontece um ganho real, o reajuste não ocorre.''
No comércio, inclusive, a maior parte dos ajustes foi bem modesta. Perto de 21,6% deles aconteceram de 2,01% a 3% acima do INPC, já os serviços tiveram 24,2% dos aumentos entre 0,01% e 1% sobre a inflação.
Já no setor industrial, graças à força sindical e também à distância dos valores pagos da média do salário mínimo, os trabalhadores acabam tendo maior força no momento da negociação salarial. ''Com a tradição dos sindicatos e seu alto poder de barganha com as empresas, geralmente as pessoas ligadas ao setor acabam conquistando grandes melhorias no salário'', complementa Silvestre.



