Piso do juro cai para 21,75% ao ano
Redução promovida ontem pelo Banco Central foi maior que a esperada pelo mercado; Tban caiu de 35,2% para 29,7%
Das agências
O Banco Central surpreendeu ontem o mercado e promoveu uma redução maior que a esperada nas taxas que influenciam os juros da economia. A TBC (Taxa Básica do BC) foi reduzida de 23,25% para 21,75% anuais, e a Tban (Taxa de Assistência do BC) baixou de 35,25% para 29,75% ao ano. As taxas começam a valer hoje e vigoram até 24 de junho. A maioria dos analistas esperava uma TBC em torno de 22,5% ao ano. As análises mais otimistas do mercado apontavam queda de, no máximo, 1,25 ponto percentual.
As especulações no mercado financeiro, o dia todo, foram além das apostas sobre a nova Taxa Básica do Banco Central (TBC) que seria definida pelo Banco Central. Sem motivo aparente, desta vez o mercado foi sacudido por vários boatos, que agitaram os negócios e provocaram, principalmente, forte instabilidade no mercado de ações.
O mercado financeiro deve passar hoje por uma reavaliação de taxas de juros e preços das ações, para ajustar-se à nova TBC. O corte, de 1,50 ponto porcentual, promovido pelo BC nessa taxa, considerada o piso de juro, superou até as expectativas mais otimistas.
Ontem, a Bolsa de São Paulo oscilou em amplo intervalo, entre uma variação positiva de 1,70%, pela manhã, e negativa de 3,25%, no início da tarde, e virou o jogo nos momentos finais do pregão para fechar com valorização 0,63%. O volume financeiro teve expansão de 11,8% sobre o anterior, para R$ 813,367 milhões.
Uma onda de rumores varreu os pregões. Um deles dava conta de forte desvalorização de moeda e elevação das taxas de juros no México; o outro, desmentido no fim da tarde pelo Banco Central, de que instituições domésticas em dificuldades financeiras, com as perdas de segunda-feira, seriam liquidadas.
Embora a queda da TBC tenha sido maior que a esperada, a tendência é que as novas taxas não façam cair os juros que bancos cobram no cheque especial e empréstimos. É que os juros dessas operações levam em conta também a inadimplência.
O principal efeito das novas taxas é sobre as expectativas do mercado. O BC dá sinais de que, mesmo com más notícias na economia internacional nos últimos dias, continua com sua estratégia de redução gradual dos juros. Essa foi a sexta queda nas taxas desde outubro passado, quando o governo dobrou as taxas de juros para combater a fuga de dólares provocada pela crise asiática.
O objetivo foi ampliar a remuneração aos investidores estrangeiros que deixam dólares aplicados no país e, assim, atrair dólares para recompor as reservas. Os juros fizeram as reservas atingirem em abril o volume recorde de US$ 74,656 bilhões. Mas, ao mesmo tempo, as altas taxas prejudicaram o crescimento da economia.
Passado o auge da crise, o governo adotou um programa de redução dos juros. Mas essa pode ter sido uma das últimas quedas na TBC neste ano, já que a taxa rompeu o patamar de 22%, que analistas apontam como o piso dos juros. Fixar taxas ainda menores poderia comprometer os rendimentos mínimos exigidos por investidores estrangeiros no Brasil.

mockup