Pesquisa trimestral do BicBanco feita por meio de consulta a companhias industriais e comerciais mostrou que 58,3% das empresas exportadoras apontaram como R$ 1,70 o piso mínimo da taxa de câmbio para concretizar suas metas de exportações.
Mostra ainda que uma taxa média nominal do câmbio apontada pelas empresas é de R$ 1,65, o que resulta numa expectativa de crescimento das exportações de 5,2%. Com este porcentual, as exportações poderão alcançar cerca de US$ 5 bilhões, estimativa inferior aos US$ 11 bilhões que estão no acordo com o Fundo Monetário Internacional.
O estudo coordenado pelo diretor financeiro do BicBanco Paulo Mallmann; o analista econômico Luiz Alberto Rabi Júnior e o analista econômico Héctor Cristhian Leguiza consultou 589 empresas, buscando os resultados obtidos no primeiro trimestre e as expectativas e projeções de médio prazo, no ano de 1999.
O BicBanco tem tradição em suas pesquisas trimestrais, e a de agora foi tabulada esta semana, após o recebimento de mais de 250 respostas, já que foram enviados questionários para 589 empresas.
Tanto Mallmann como Rabi Júnior entendem que o câmbio, para propiciar maiores ganhos nas exportações, devem se situar entre R$ 1,80 a R$ 1,90, o que traria também efeitos positivos na redução das importações.
A pesquisa mostrou também que 49,3% das empresas exportadoras brasileiras estão fazendo descontos nos seus preços, em média de 9,7% para os importadores, o que significa uma redução na receita geral de US$ 2,8 bilhões. Um porcentual de 50,7% das empresas não dão descontos nos seus preços.
Por outro lado, 43,6% dos importadores brasileiros estão pedindo descontos aos vendedores no exterior, chegando a uma média de descontos de 7,8%, ou seja, anualmente deve chegar a US$ 1,9 bilhão, inferior portanto ao que os exportadores brasileiros estão concedendo aos seus clientes no mercado internacional. A maioria das empresas, 56,4% ainda não conseguiu descontos.
A perda líquida entre os rebates de preços concedidos nas exportações e os descontos obtidos nas importações é de US$ 900 milhões. O estudo do BicBanco mostrou que 54,1% das empresas manterão seus níveis atuais de importações, absorvendo nas margens de lucro e/ou repassando aos preços a alta de custo.
Um porcentual de 39% das empresas que se utilizam de produtos importados irão substituí-lo parcialmente e apenas 6,8% irão substituí-lo integralmente por fornecedores domésticos.
Um porcentual de 47,6% das empresas reduzirão em até 5% suas exportações em 99, ao passo que 14,8% delas irão reduzí-las entre 5% a 10%. Ou seja, para 62,4% das empresas a queda nas importações não será maior do que 10%. O porcentual médio de queda das importações estimado pelas empresas em 1999, é de 9,2% e concluiu: De acordo com os resultados obtidos junto às empresas exportadoras e importadoras, o superávit comercial projetado para 1999 será ao redor de US$ 2 bilhões.

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