Curitiba Piscicultores paranaenses denunciaram ontem, na última sessão ordinária da CPI dos Alimentos, na Assembléia Legislativa, o que classificam de descaso das autoridades governamentais com a produção de peixes no Estado. De acordo com o gerente da Câmara Setorial de Piscicultura, Elói Khumm, vereador em Campina Grande do Sul, município da Região Metropolitana de Curitiba, atualmente a comercialização do peixe de água doce é a maior dificuldade do segmento que produz cerca de 17,5 mil toneladas de peixe por ano e tem capacidade para dobrar a produção, caso haja investimento no setor.
Os maiores compradores do peixe de água doce são os pesque-pagues. Isso porque, segundo Khumm, as dificuldades para a produção do peixe são grandes e começam pelo controle ambiental. ''Sou do Partido Verde e me preocupo com a preservação. Mas não podemos admitir a proibição da produção do peixe de água doce em lagos e rios. Por que é proibido?'', questionou. Ele pediu ao deputado estadual Orlando Pessuti (PMDB), vice-governador eleito e anunciado como sendo o próximo secretário de Estado da Agricultura e Abastecimento, que lute para que o controle das águas no Estado seja feito pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), a exemplo do que é feito em São Paulo. Atualmente, o controle pertence a um órgão federal.
Outra preocupação do setor é com relação ao preço do quilo do peixe. O custo da produção no Estado seria de R$ 0,90 a R$ 1,20 por quilo. Os valores de venda para consumo estariam entre R$ 1,20 a R$ 1,40 o quilo. ''Isso está inviabilizando completamente a produção do peixe'', salientou. Khumm destacou que apenas 60% do peixe é aproveitado quando o mesmo é comercializado em filés. Outros 20% poderiam ser usados para fabricação de farinha de peixe. ''Queremos poder negociar diretamente com os distribuidores finais para agregar mais valor'', disse.
Khumm disse que o Paraná gasta cerca de US$ 10 milhões por ano com a importação de filé de merluza. Ele sugeriu que 10% deste valor sejam aplicados anualmente no setor, por cinco anos. ''Isso garantiria a nossa demanda interna e geraríamos 20 mil novos empregos na lavoura'', analisou. Ele ainda levantou a possibilidade do peixe ser usado na merenda escolar para incentivar a produção. Somente em Curitiba, as cozinhas industriais consomem cerca de 25 toneladas de filé de peixe por mês.

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