Pisa, que fabrica papel de imprensa, terá novo dono
Cláudia Lopes e Valéria Burgos
A indústria de papel de imprensa Pisa terá novos donos. O grupo norueguês Norske Skog assinou, há cerca de dez dias, um termo de compromisso de compra da empresa neozelandesa Fletcher Challenge Paper, que detém 40% das ações da Pisa Papel de Imprensa S/A, de Jaguariaíva, leste do Paraná.
O negócio, de US$ 2,5 bilhões, deve ser formalizado em julho deste ano, depois da aprovação dos conselhos de acionistas dos grupos. A fusão também tem que ser aprovada pelos conselhos econômicos dos dois países, afirmou o diretor geral da fábrica em Jaguariaíva, José Afonso Noronha, que falou à Folha ontem.
O controlador da Pisa é o jornal O Estado de S.Paulo. Noronha revelou que a Fletcher está tentando comprar todas as ações ordinárias da Pisa para vender a totalidade da empresa ao grupo norueguês, segundo produtor deste papel no mundo. Mas se não der tempo, o próprio Norske deverá fazer as aquisições. A tendência é que o grupo norueguês seja dono de todas as ações até o final deste ano.
A Pisa produz 180 mil toneladas/ano de papel, vendidas para jornais de todo o País. O grupo Norske anunciou recentemente que vai investir numa nova máquina de papel para imprensa, aumentando a produção entre 250 mil toneladas/ano e 300 mil toneladas/ano em 2003. O local do investimento ainda não foi divulgado.
Os funcionários da Pisa receberam bem a notícia da venda da empresa, porque o novo grupo já anunciou investimentos que deverão elevar o número de empregos e melhorar as condições de trabalho, segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Papel Pisa, Benedito Domingues. Atualmente a empresa gera 450 empregos diretos e mil postos terceirizados.
O grupo Norske também acaba de fazer uma joint venture com a Klabin para comercializar 50% da produção da empresa. Com estes investimentos, o Brasil vai passar a produzir 60% de seu consumo doméstico, segundo Noronha.
Hoje, a Pisa e a Klabin produzem 40% do papel de imprensa consumido no mercado interno. Neste ano, o consumo no País deve ser de 660 mil toneladas. Mas o preço do papel de imprensa não deve cair, previu Noronha. O mercado internacional vai continuar determinando o preço do produto. (Colaborou Vânia Casado).





