Pirataria também está nas lavouras do País
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terça-feira, 01 de setembro de 2009
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Atualmente cerca de 6% a 8% das sementes comercializadas no Paraná são fruto de pirataria. No Estado, o problema está mais concentrado nas culturas de soja e trigo, mas também está presente no milho e no algodão. A pirataria rendeu multas no valor total de R$ 2,76 milhões e a apreensão de 6.072 toneladas de produtos no primeiro semestre deste ano. Os dados são do coordenador de sementes e mudas do Ministério da Agricultura, José Neumar Francelino. Para combater o problema, o Ministério tem realizado ações de fiscalização, forças-tarefa e também trabalhado a partir de denúncias.
O pesquisador da Embrapa Soja de Londrina, José de Barros França Neto, disse que a situação é bastante preocupante no Brasil todo. Ele destacou que considerando apenas a cultura de soja, 60% das sementes utilizadas no Brasil são oficiais, ou seja, certificadas. Os outros 40% restantes são produtos que estão no mercado informal que podem ser sementes do próprio produtor ou pirateadas.
Ele disse que a semente certificada é até três vezes mais cara que a produzida pelos próprios agricultores ou do que a pirata, mas não tem a segurança da qualidade e de germinação. No entanto, pode atingir uma produtividade até 30% maior. França destacou que, na maior parte dos casos, o produtor de grãos que se responsabiliza pela própria semente, não tem muita estrutura. Já a semente certificada passa por tratamentos com fungicidas, utiliza fertilizantes, tem controle de insetos. O produto ainda é seco, limpo e armazenado com cuidado e controle de qualidade.
Na cultura de soja, hoje a semente representa cerca de 5% do custo de produção. Ele lembrou que o Mato Grosso é o maior produtor de soja do País, Estado que investe em tecnologia e semente de qualidade.
''A semente pirata é um tremendo de um negócio'', disse o pesquisador. Para ele, uma das formas de combater a clandestinidade é fazer campanhas de conscientização do produtor sobre os riscos que a semente pirata oferece. Entre os principais estão trazer novas doenças para a lavoura, comprar uma variedade diferente de semente da que o produtor deseja, adquirir produtos com impurezas e plantas daninhas, além de ter chance de levar um material com baixo índice de germinação e vigor.
Além disso, ele destacou que o agricultor que usa sementes próprias nunca tem renovação para utilizar variedades mais produtivas e resistentes a doenças como a ferrugem da soja. Segundo ele, nos últimos 35 anos, a evolução da qualidade das sementes foi grande em várias culturas. Hoje, é possível obter até 95% de germinação na soja.
Os representantes do Ministério da Agricultura e da Embrapa estiveram em Curitiba para participar do 16º Congresso Brasileiro de Sementes, evento promovido em Curitiba até amanhã pela Associação Brasileira de Tecnologia de Sementes (Abrates). O encontro reúne produtores de sementes e mudas, técnicos de campo e de laboratórios, acadêmicos e pesquisadores envolvidos com a produção, análise e tecnologia de sementes.
De acordo com dados da Associação Brasileira dos Produtores de Sementes (Abrasem), o setor movimentou cerca de R$ 8 bilhões na safra 2007/08. A produção brasileira de sementes é de aproximadamente 2,1 milhões de toneladas. O Paraná é responsável por 20% da produção nacional.


