Pirataria, o crime mais lucrativo do mundo
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quarta-feira, 31 de maio de 2006
Erika Zanon<br> Reportagem Local 
A cada ano, dois milhões de empregos formais deixam de ser criados no Brasil por causa de um crime que parece passar despercebido pela população: a pirataria. Além disso, cerca de R$ 27 bilhões deixam de ser arrecadados em impostos. Se fosse só o impacto negativo na economia já bastava para um cerco à falsificação. Mas o problema foge disso: quem compra um produto pirata pode colocar em risco a própria saúde e fomentar organizações criminosas que atuam nas áreas de contravenção, como o narcotráfico e o contrabando de armamentos.
Para tentar combater esse crime, o Conselho Nacional de Combate à Pirataria, vinculado ao Ministério da Justiça, tem fechado cerco à ''bandidagem'', intensificando ações de repressão e, há um mês, lançou uma campanha educativa à população: ''Pirata, tô fora! Só uso original''. ''As medidas de repressão funcionam, mas não são suficientes. Vamos apostar agora em medidas mais educativas e mexer com a demanda, mostrando que o crime da pirataria está diretamente ligado aos criminosos'', afirmou o secretário executivo do CNCP, Márcio Gonçalves.
Levantamentos elaborados pela Interpol (Polícia Internacional) revelam que a falsificação de mercadorias tem sido o crime mais lucrativo do mundo e movimenta anualmente US$ 522 bilhões - superando o tráfico de entorpecentes, calculado em US$ 360 bilhões. A pirataria esconde ainda outros dados preocupantes. De acordo com CNCP, não são somente CDs e DVDs que fazem parte desse tipo de crime, atualmente é crescente a falsificação de medicamentos, materiais cirúrgicos, pastilhas de carros e até rolamento de turbinas de avião.
Segundo Gonçalves, a campanha vai ganhar as escolas e universidades e tentar atingir o maior número de jovens, já que pesquisa recente apontou que os maiores consumidores de produtos falsificados estão na idade entre 14 e 25 anos. ''Queremos mostrar que ao adquirir um produto piratiado, o consumidor pode prejudicar a própria saúde, bem como ajudar a financiar as máfias internacionais'', reiterou.
Através de peças teatrais, voltadas para crianças e adolescentes, o conselho pretende conscientizar esse público por todo o território nacional. Durante as palestras, que também serão realizadas, os participantes do conselho vão levar produtos pirateados e mostrar os defeitos e os problemas que eles podem causar. Um brinquedo, por exemplo, pode conter resíduos altamente tóxicos, como tintas que provocam câncer. ''Recentemente um exame mais minucioso descobriu que no plástico que embalava determinado brinquedo havia resíduos de lixo hospitalar'', destacou Gonçalves. Uma cartilha de orientação também será distribuída.
Preocupados com o problema da pirataria no País, o secretário do CNCP frisou que a idéia da campanha surgiu após o Ministério da Justiça perceber que apenas ações de repressão, em fronteiras por exemplo, não estavam funcionando. ''Precisamos atingir quem compra, conscientizar quem 'financia' esse crime'', enfatizou. ''Tem mãe que não permitiria que alguém montasse uma barraquinha em frente a escola que o filho estuda e vendesse drogas, entretanto não se importaria se essa mesma barraquinha vendesse DVDs pirateados. Ela precisa entender que esse crime alcança o narcotráfico'', observou. Dados do ministério dão conta que no ano passado em aproximadamente 60% das apreensões de produtos piratas havia também drogas, armas e munições.


