Pirataria movimenta mais que narcotráfico
Curitiba - Quando se pensa em produtos piratas, os primeiros que vêm a mente são CDs e DVDs. Mas a pirataria atinge níveis ainda mais graves. Produtos como cateter cirúrgico, próteses e medicamentos também figuram na lista dos pirateados e apresentam alto risco de danos ao consumidor. Para se ter uma idéia, em uma só batida da Receita Federal, no ano passado, foram apreendidos 204 milhões de luvas cirúrgicas falsas, sem procedência confiável. Esse número, calcula a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), seria suficiente para abastecer o mercado hospitalar brasileiro por um ano.
Os dados foram apresentados por Rafael Garcia Pereira Bellini, do Conselho Nacional de Combate à Pirataria e Delitos contra a Propriedade Intelectual do Ministério da Justiça, durante o painel Propriedade Intelectual, um dos nove apresentados durante o Congresso Paranaense da Indústria. De acordo com Bellini, a pirataria já está sendo considerada o crime do século e movimenta mais dinheiro que o narcotráfico.
Fundado em 2004, o Conselho atua em três frentes básicas: frear a oferta e a demanda de produtos piratas e oferecer alternativas mais acessíveis ao consumidor.
Sérgio Barcelos, pesquisador do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), abordou a questão do valor da marca como fator de competitividade e da propriedade intelectual mostrando cases nacionais, como o das Havaianas. Em pouco mais de seis anos, a São Paulo Alpargatas, detentora da marca Havaianas, conseguiu transformar uma situação de queda de vendas em um panorama de produção recorde e exportação. Em 2003, as vendas das Havaianas representaram 39% do faturamento da Alpargatas e foram as maiores responsáveis pela valorização de 325% nas ações da empresa de 1997 a 2003.(A.B.)





