Arquivo FolhaProva de autenticidadeProdutos originais não oferecem riscos à criança e seguem padrões norte-americanos de fabricação, com tecido antialérgico. Os ‘‘piratas’’ são mais grosseirosA Disney Animation, empresa norte-americana com o maior números de personagens infantis - como Mickey Mouse, Pato Donald, Aladin e Pocahontas -, decidiu retirar-se do mercado de Ciudad del Este, no Paraguai. Essa medida alcança todos os negócios da companhia, desde a distribuição de filmes até o merchandising dos personagens. A maioria dos produtos vendidos em Ciudad del Este entra no mercado brasileiro por meio de sacoleiros.
As sanções da Disney, já comunicadas ao Ministério da Indústria e Comércio (MIC) paraguaio, devem entrar em vigor imediatamente, segundo os técnicos do governo paraguaio. A companhia alega que está tendo prejuízos incalculáveis com a pirataria. No Paraguai, segundo o comunicado da empresa, existem desde macarrão batizado com nome de personagens da Disney até bonecos de pelúcia fabricados em fundos de quintal.
O governo paraguaio não tem dados de quanto os comerciantes lucram com as marcas Disney, mas estima-se que o prejuízo da companhia com o não-pagamento de royalties pelo uso da marca e de personagens pode chegar US$ 1 milhão anualmente.
A medida imposta pela companhia é uma represália pela demora na promulgação da lei que regulamenta marcas e patentes no Paraguai. De acordo com o MIC, as retaliações devem atingir todos os negócios feitos pela companhia.
Com essa determinação, deverão ser retirados do mercado os bonecos de pelúcia com personagens da Disney, camisetas, filmes, chaveiros, adesivos e todos os produtos vendidos com a marca da empresa. Fica vedada, também, a utilização de personagens impressos em qualquer produto, mesmo que tenham sido fabricados em outros países.
O diretor do Centro de Importadores e Comerciantes de Alto Paraná (Cicap), Victor Paez Coll, que também é um dos representantes da marca Disney no Paraguai, disse à Folha que a maior parte dos produtos piratas vem da China. ‘‘O Paraguai não fabrica esses produtos. Quase todos são embalados nos países asiáticos, onde não há leis de proteção à propriedade intelectual’’, afirma Coll. Segundo ele, o gesto da Disney é justo, apesar de prejudicar comerciantes que trabalham com produtos legítimos.
Segundo Raymond Ramos, dono de uma de uma casa especializada em produtos da Disney, é fácil distinguir os produtos originais dos piratas. ‘‘No caso dos originais, eles não oferecem riscos à criança e seguem padrões norte-americanos de fabricação. O tecido é antialérgico e à prova de fogo’’, afirma.
Ramos e Coll também serão prejudicados com as retaliações da companhia. Com essa medida, eles podem deixar de vender os produtos da empresa. ‘‘O comércio informal e os que trabalham ilegalmente estão atrapalhando as pessoas sérias de Ciudad del Este’’, disse Coll.

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