Pirataria dá prejuízo de US$ 830 mi
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quinta-feira, 20 de setembro de 2001
Agência Estado <br> De São Paulo 
A indústria brasileira de software perde US$ 400 milhões por ano com pirataria, a fonográfica perde US$ 300 milhões e a cinematográfica, US$ 130 milhões. Os dados, da International Intellectual Property Alliance (IPPA), foram apresentados ontem ao governo por representantes das três áreas no ''Seminário Nacional de Proteção Autoral de Cinema, Música e Software'', junto com um pedido para que o recém-criado Comitê Interministerial de Combate à Pirataria trabalhe rapidamente para diminuir os índices de viola ção de direitos autorais no País. O evento teve o apoio do Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo.
Segundo os dados da IPPA, os índices de pirataria na indústria fonográfica ultrapassam 95% no caso de fitas cassete e 35% em compact disc. Isso significa que a cada 100 fitas vendidas, 95% são pirateadas. No caso dos cds, 35 são ilegais. No cinema, o índice de fitas VHS copiadas ilegalmente também é de 35%. ''Esse prejuízo é fatal para o cinema brasileiro'', disse o gerente da Motion Picture Association (MPA) no Brasil, Carlos Alberto de Camargo.
Na área de softwares, o índice já caiu bastante, de 91% em 1991 para 58% em 1999 e 2000. Mas a meta do setor é quebrar a barreira dos 50% até 2003, segundo André de Almeida, advogado da Business Software Alliance no Brasil. A BSA é uma entidade internacional que defende os direitos autorais para o setor. ''Se um dia conseguirmos reduzir o índice para 25%, como é nos Estados Unidos, geraremos 36 mil postos de trabalho na indústria e as contribuições fiscais subiriam de R$ 1,55 bilhão para US$ 3,9 bilhões'' , afirmou Almeida, com base em estudo conduzido pela consultoria PriceWaterhouse Coopers.
Márcio Cunha G. Gonçalves, diretor geral a Associação Brasileira dos Produtores de Discos, ressaltou que a pirataria tem provocado demissão em massa na indústria brasileira. Ele espera que iniciativas como o seminário, que contou com a presença de Robert o Precioso Júnior, delegado responsável pelo Comitê Interministerial, alertem as autoridades para o problema. ''Essa situação não nos permite explorar o enorme potencial do mercado brasileiro'', completou.
As entidades promotoras do seminário acreditam que a falta de uma punição eficiente e a certeza de impunidade por parte dos criminosos são os principais motivos do alto índice de pirataria no Brasil. Elas defendem uma ação coordenada entre as polícias f ederal e estaduais, rodoviária, portuária e aeroportuária, mais a Receita Federal.


