'Piquete' deve ser novo pesadelo de De la Rúa
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terça-feira, 24 de julho de 2001
Agência EstadoDe Buenos Aires 
Mais de 1.500 líderes piqueteiros de toda a Argentina reuniram-se ontem em La Matanza, na Grande Buenos Aires, para a Assembléia Nacional de Organizações Populares, Territoriais e de Desempregados. Os piqueteiros decidiram coordenar suas ações, de forma a exercer uma maior pressão sobre os governos provinciais e federal. Os piquetes são uma modalidade de protesto surgida na década passada, como forma de pedir trabalho e comida.
A maior parte dos protestos ocorre no interior do país, que empobreceu drasticamente depois das privatizações realizadas durante o governo do ex-presidente Carlos Menem. O modus operandi desses grupos de desempregados consiste em bloquear uma estrada ou uma ponte com escombros e pneus em chamas, até que seus pedidos sejam atendidos. Enquanto que em 1997 foram realizados 140 piquetes e 514 ao longo do ano 2000, neste ano, até o fim de junho, já ocorreram mais de 430 piquetes.
A idéia da Assembléia é realizar protestos de forma conjunta e simultânea, cortando estradas em todo o país a partir da semana que vem. Além disso, foi determinada a realização de uma marcha de manifestantes que partirão desde Buenos Aires no dia 11 de setembro e que partirão em direção à diversas áreas com conflitos sociais no interior do país.
Os analistas consideram que os piquetes são o novo pesadelo do governo do presidente Fernando De la Rúa, já que são mais eficazes do que as tradicionais greves gerais realizadas pelas centrais sindicais. Além disso, na categoria de desempregados sem perspectiva, os piqueteiros costumam entrar em choque com a polícia com uma audácia e violência pouco comum entre os grevistas tradicionais.
Em recentes declarações ao Grupo Estado, o ex-ministro do Interior, Federico Storani, afirmou que a tendência é que os piquetes cresçam em número cada vez maior. Um relatório do governo divulgado na semana passada indica que existem onze zonas de potenciais graves conflitos sociais em todo o país. Precisamos organizar a resistência civil, para derrubar o ajuste que o governo anunciou. Não nos deteremos até conseguir parar esse ajuste, afirmou o líder da Federação de Terra e Moradia, Luis DElia, e piqueteiro em La Matanza, cidade da Grande Buenos Aires.
Segundo DElia, não existe nenhuma intenção de transformar o movimento de piqueteiros em um partido político. A idéia é que possamos coordenar linhas de ação conjunta. Em protesto contra o ajuste fiscal do governo federal, hoje, a Associação de Trabalhadores do Estado (ATE) realizará uma greve de 24 horas.


