Pioram as expectativas de inflação
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terça-feira, 22 de abril de 2003
Gustavo Freire<br> Agência Estado 
Brasília Pela segunda semana consecutiva o mercado financeiro aumentou a estimativa de inflação para 2003. De acordo com a pesquisa que o Banco Central (BC) faz semanalmente entre instituições financeiras e empresas de consultoria, a previsão predominante no mercado para o IPCA deste ano subiu de 12,30% para 12,44%.
O resultado do levantamento deve influenciar a decisão que será anunciada hoje pelo Comitê de Política Monetária (Copom) e fortalece a expectativa de que há pouco espaço nesse momento para a redução da taxa básica de juros (Selic). A nova estimativa é superior aos 12,19% que o mercado previa há quatro semanas, quando o Copom se reuniu pela última vez.
O aumento das expectativas inflacionárias do mercado está centrado basicamente no curto prazo. As instituições aumentaram a previsão do IPCA de abril de 0,80% para 0,90%, mas mantiveram em 0,60% a projeção para maio. Também não se alterou a projeção para 2004, de 8%. E no que se refere à estimativa para os próximos 12 meses a aposta predominante do mercado caiu de 9,11% para 9,06%.
Mesmo com uma estimativa de inflação maior, o mercado reduziu a projeção para a taxa Selic no fim de 2003, que passou de 22,20% para 22% ao ano, mantendo em 18% a previsão para o fim de 2004. No que se refere ao câmbio, a taxa prevista para o fim de 2003 foi mantida em R$ 3,50 por dólar, mas a expectativa para o fim de 2004 recuou de R$ 3,70 para R$ 3,68.
Com essas projeções para juros e câmbio - dois indicadores que afetam diretamente o nível de endividamento público - o mercado não alterou sua previsão para a dívida líquida do setor público: 55,65% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2003 e 54% em 2004.
Coerente com a manutenção de juros altos por mais algum tempo, o mercado reduziu a expectativa de crescimento da economia em 2003. O aumento do PIB, antes estimado em 1,95%, passou agora para 1,90%. A estimativa para 2004 permaneceu em 3%.
No setor externo, a mudança mais significativa em relação à pesquisa da semana anterior foi a redução do déficit estimado para as contas correntes (balança comercial mais serviços) em 2003. Ele passou de US$ 4 bilhões para US$ 3,7 bilhões. mesmo com as instituições tendo reduzido de US$ 16,25 bilhões para US$ 16,20 bilhões sua previsão para o superávit da balança comercial. Para 2004, o mercado acredita que a balança comercial terá saldo positivo de US$ 16,40 bilhões e que o déficit em conta corrente será de US$ 4,5 bilhões.


