Pinguelli quer novo modelo para energia
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quarta-feira, 15 de janeiro de 2003
Agência Folha 
Rio de Janeiro O físico Luiz Pinguelli Rosa tomou posse ontem na Eletrobrás defendendo um novo modelo para o setor elétrico com características de prestação de serviço público. ''Temos que ter metas (simultâneas) de atendimento à população e viabilização do crescimento econômico'', afirmou.
Segundo ele, o mercado terá um papel ''importante, mas complementar'', com a função de equalizar a oferta de energia em caso de eventuais sobras ou faltas, decorrentes da margem de erro no planejamento. Pinguelli Rosa anunciou a criação de um grupo de estudos encarregado de elaborar a reforma do setor elétrico. Estarão envolvidos o Instituto de Cidadania (vinculado ao PT), universidades e empresas.
A missão do grupo será abastecer o Ministério de Minas e Energia de subsídios para a formulação da política energética. ''Nosso compromisso é não tomar decisões unilaterais. Nada será relegado, tudo será estudado'', disse.
Deverão ser analisados todos os aspectos do setor, incluindo a revisão das tarifas, a negociação das dívidas das empresas e os investimentos prioritários. ''Não adianta a Eletrobrás ir bem e o setor elétrico ir mal. Queremos a atividade empresarial lucrativa'', afirmou.
Na avaliação do físico, a razão do elevado grau de endividamento das companhias decorre do ''esgotamento do modelo atual''. Ele descartou a privatização ou federalização de outras companhias.
Pinguelli Rosa informou que até maio o governo decidirá sobre a construção ou não da usina nuclear de Angra 3. Até lá, estarão concluídos os estudos de viabilização da usina, cujo custo está estimado em US$ 1,8 bilhão, além dos gastos já feitos na compra e manutenção dos equipamentos.
Ele destacou a necessidade de investimentos do setor, mas disse ter tempo para decidi-los, pois há excesso de oferta de energia decorrente da queda do consumo. O governo quer a parceria com o setor privado e pretende fazer captações no mercado internacional para aumentar o volume de investimentos. Para este ano, estão previstos R$ 3,8 bilhões.
Eleito ontem, o conselho da Eletrobrás será presidido pela ministra de Minas e Energia, Dilma Roussef. Além de Pinguelli Rosa, fazem parte a economista Maria da Conceição Tavares e o diretor do BNDES Darc da Luz Costa.


