Pinguelli diz que AES agiu igual ao tráfico
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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2003
Irany Terezaap6>Agência Estado 
Rio - O caminho utilizado pela norte-americana AES Corporation para ingressar no Brasil - que incluiu a adoção de empresas ''de papel'' sediadas nos paraísos fiscais da Ilhas Virgens e Cayman - foi comparado pelo presidente da Eletrobrás, Luiz Pinguelli Rosa, à lavagem de dinheiro de atividades criminosas, como o tráfico de drogas. ''Essa é uma operação tipo traficante de cocaína'', afirmou à Agência Estado.
Pinguelli questionou os argumentos usados pelo secretário-adjunto de Comércio dos Estados Unidos, William Lash, que atribuiu a dívidas de Estados e municípios não pagas à Eletropaulo a razão da inadimplência da AES, controladora da distribuidora paulista, com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). ''Isso é absurdo. Por este raciocínio, o Brasil também poderia procurar uma razão para não pagar a dívida externa.''
Agência Estado - O BNDES terá dificuldades em receber as garantias da dívida da AES, em caso de execução judicial, devido à estrutura de controle do grupo?
Luiz Pinguelli Rosa - A forma como foi montada a estrutura de controle é passível de denúncia jurídica para desclassificação do contrato de financiamento. Esse é um sistema do tipo traficante de cocaína. Como pode um grupo estrangeiro montar empresas fantasmas nas Ilhas Cayman para comprar uma empresa operadora brasileira? Essa operação tinha de ser juridicamente desvendada. É como um trambique. É o mesmo que um consumidor fazer uma compra a crédito e fornecer nome e domicílios falsos.
AE - O secretário-adjunto de Comércio dos Estados Unidos, William Lash, afirmou que a AES não paga porque não consegue receber dívidas de Estados e municípios de mais de US$ 300 milhões...
Pinguelli - Essa alegação é absurda. Quem deve ao BNDES é a AES. Respeitamos as ações diplomáticas dos Estados Unidos neste caso, mas o argumento está errado. Como cidadão brasileiro, não posso concordar com um argumento desses. O que mudou agora nas relações é que o Brasil também passou a defender os interesses das companhias brasileiras.
AE - Este episódio não poderá provocar um incidente diplomático?
Pinguelli - Não queremos gerar conflito diplomático, mas também não podemos engolir um sapo desse tamanho. Temos o parecer de um importante membro do governo americano feito com base errada. Se fosse para seguir este raciocínio, o Brasil poderia alegar que não pode pagar a dívida externa porque não recebe o que lhe devem. Sempre há como usar este argumento.


