Pimental não vê saída; Osmar Dias acha arriscado
O ex-governador Paulo Pimentel (PFL) também lamenta a privatização da Copel, mas acha que o governo não terá outra alternativa. O Estado não tem mais recursos para manter o crescimento da Copel, argumenta ele. No entanto, Pimentel acredita que, mesmo privatizada, a empresa deveria permanecer no poder de paranaenses. A sugestão apresentada por ele é a de que a Copel dê preferência de venda para compradores locais. Acho que se um grupo forte fosse formado e tivesse um respaldo político, poderíamos garantir que o controle acionário da empresa ficasse em nossas mãos, afirmou.
Pimentel acredita que os recursos para a compra da Copel poderiam ser buscados com a ajuda do governo do Estado. Por enquanto, estou sozinho nesta idéia, lamentou ele, mas eu grito alto, quem sabe alguém me ouça.
O senador Osmar Dias (PSDB-PR), que já está vivendo as consequências de uma privatização, disse que tem motivos de sobra para ser contra a desestatização da Copel. Desde que a companhia energética de Brasília foi privatizada, ele já ficou no escuro por duas vezes. A empresa justificou o apagão dizendo que estava atravessando um período de experiência. Não podemos admitir que algo que estava funcionando tão bem, piore com a privatização, afirmou ele.
Para o senador, a venda da Copel para a iniciativa privada traria consequências ainda piores para o Estado do Paraná, já que a empresa é uma das mais rentáveis do setor energético do País e poderá ser estratégica para a atração de novas indústrias. Eu sou contrário à privatização em todos os Estados brasileiros no caso de empresas energéticas que funcionem como a Copel, afirmou ele.
Osmar Dias acredita que a venda da Copel esteja refletindo agora uma denúncia feita há dois anos por ele e o senador Roberto Requião (PMDB), na época da aprovação de empréstimos internacionais ao Paraná. Retivemos os pedidos de financiamento não para prejudicar o Estado, mas porque tínhamos detectado que o governo não tinha mais capacidade de endividamento, argumentou.
Segundo ele, o governo deveria procurar outras soluções para conter o déficit público, como o aumento da arrecadação através do combate à sonegação fiscal. Se não tivesse a Copel para vender, o Estado seria fechado?, perguntou. (LP)





