Piloto ouviu alerta do Fokker-100
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sexta-feira, 29 de novembro de 1996
Agência Folha, de São Paulo 
O piloto e o co-piloto do Fokker-100 da TAM que caiu em São Paulo no dia 31 de outubro chegaram a fazer uma checagem de bordo antes da decolagem, depois que um alerta no avião soou duas vezes. A checagem não detectou nada errado. As informações fazem parte de uma nota oficial divulgada ontem pelo Ministério da Aeronáutica.
A nota resume o conteúdo do relatório preliminar sobre o acidente, elaborado pela equipe que investiga as causas da tragédia. O documento divulgado, o segundo oficial desde o acidente, confirma informação de que quando a aeronave ia para a cabeceira da pista, um sinal sonoro de alerta teria tocado duas vezes.
Os pilotos ouviram um alerta de nível dois e não puderam identificar o motivo, diz o texto. No cheque de configuração de decolagem, a tripulação obteve a confirmação da normalidade. O texto continua: Os tripulantes prosseguiram na decolagem.
Há quatro níveis de alerta em aeronáutica: de zero a três. Alerta de nível dois significa ocorrência de uma pane que exige ação não-imediata do piloto.
O sinal, segundo a Folha de S.Paulo apurou, seria um aviso de que o reversor estava destravado. O destravamento está registrado na caixa-preta. De acordo com os dados da caixa-preta, o vôo teria durado, ao todo, 25 segundos.
O reversor é uma espécie de marcha à ré da turbina utilizado como freio auxiliar em pousos. O reversor direito do avião da TAM abriu durante a decolagem, desestabilizando a aeronave.
Apesar do alarme, o destravamento não teria causado a abertura do reversor. O equipamento teria sido ativado por falha elétrica. O fato de o sistema estar destravado teria agravado a falha inicial. Entre as falhas que contribuíram para o acidente, a nota cita ainda o fato de que os pilotos confundiram a pane no reverso como falha no sistema automático de aceleração (autothrottle ou ATS).
O texto não aponta responsáveis ou culpados, até porque não é seu objetivo, diz a nota. A nota nega ainda que se possam tirar conclusões na fase atual das investigações. Exceto que a investigação está em curso.
Dirceu Barbosa Geraldo, 39, vítima em terra do acidente ocorrido no último dia 31 com o Fokker-100 da TAM, morreu às 12h30 de ontem, na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Albert Einstein. Ele estava internado no Einstein desde a madrugada do dia 3, com 61% de seu corpo queimado. Nos primeiros dias após o acidente, Geraldo ainda estava consciente e chegou a conversar com a família, mas, ultimamente, ele estava sendo mantido sedado.


