Uma megaoperação conjunta das polícias Civil, Militar, Promotoria de Investigações Criminais (PIC) e Receita Estadual resultou ontem na prisão de 12 pessoas - seis delas empresários do setor de combustíveis de Londrina. Os mandados de prisão e de busca e apreensão, expedidos no dia anterior, são resultado de um processo que já dura 90 dias e investiga crimes como formação de quadrilha, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e falsificação de documentos, que teriam sido cometidos nos últimos dois anos e praticados por distribuidoras e revendas de álcool combustível de Londrina e região. O Ministério Público (MP) estima que o desfalque aos cofres do Estado possam chegar a R$ 10 milhões.
Os 12 mandados de prisão temporária e 25 de busca e apreensão foram expedidos pelo juiz da 1 Vara Criminal, João Clève Machado, e começaram a ser executados durante a madrugada de ontem. Mais de 90 oficiais estiveram envolvidos na operação. Computadores, documentos e notas fiscais foram apreendidos, além da prisão temporária de empresários dos ramos de informática, distribuição e revenda de combustível.
Segundo o promotor Leonir Batisti, da PIC, as distribuidoras são as principais suspeitas pela prática dos crimes de sonegação e falsificação de documentos. Porém, ele ressaltou que toda a cadeia de comercialização de álcool combustível pode estar envolvida. ''O esquema é antigo e denuncia a existência de uma verdadeira quadrilha em Londrina'', afirmou o promotor.
Ainda de acordo com Batisti, os empresários se utilizavam basicamente de dois esquemas para sonegar impostos. ''Não é permitida a compra de álcool combustível diretamente das usinas. O que eles faziam era criar distribuidoras teoricamente legais para a emissão de notas frias e a consequente sonegação. A outra opção, a meu ver mais ousada, era a de emitir notas de distribuidoras de São Paulo para combustível produzido no Paraná. Neste caso, alguns empresários chegavam a pagar a diferença do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) entre os dois Estados, para aumentar a impressão de que as notas eram verdadeiras'', explicou.
Advogados de alguns dos empresários estiveram na sede da PIC pela manhã, sem entender exatamente os motivos pelos quais os clientes estavam sendo levados presos. Segundo o advogado Alvino Filho, ele desconhecia as razões para a expedição do mandado. ''Ainda nem tive contato com meu cliente'', disse. Já o advogado César Marçal, representando o dono de uma distribuidora, considerou as prisões ''um abuso''. ''Se a Justiça tivesse mandado intimações, meu cliente prestaria depoimento por livre e espontânea vontade'', disse.
Batisti explicou à reportagem da Folha que os pedidos de prisão temporária foram realizados para que o aprofundamento nas investigações fosse facilitado. Segundo o promotor, as prisões temporárias vigoram por cinco dias, podendo ser renováveis por mais cinco.
Em nota oficial divulgada no início da tarde, o Sindicato dos Revendedores do Paraná (Sindicombustíveis/PR) deu total apoio à ação do MP. O presidente do sindicato, Roberto Fregonese, disse, na nota, que ''o Sindicombustíveis, já há algum tempo, está denunciando esse tipo de irregularidade''. ''A categoria se sente reconfortada porque bandidos que se instalaram no setor estão sendo desmascarados '', afirmou ele, no mesmo comunicado.

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