PIC investiga suspeitos de atentado a posto
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sexta-feira, 05 de março de 2004
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O depoimento de um dos frentistas do posto de combustíveis de Curitiba, ontem, reforça a hipótese de que o estabelecimento teria sido alvo de um atentado à bomba. Gilson de Andrade disse à polícia que, cerca de uma hora antes da explosão na noite de quarta-feira, tirou um saco de lixo que estava em cima da caixa de válvulas por onde são abastecidos os tanques e jogou por cima do muro no terreno baldio exatamente no local onde a bomba explodiu. O preço abaixo do praticado pela maioria dos estabelecimentos R$ 1,819 é que teria motivado a ameaça.
Segundo o delegado Guaracy Hoffmann, da Delegacia de Explosivos, Armas e Munições (Deam), o frentista disse que não teve curiosidade em abrir o saco plástico, achando que se tratava de lixo. O volume, segundo ele, pesava em torno de 12 quilos. O delegado acredita que a bomba teria sido colocada no posto na noite anterior ou pela manhã antes do posto abrir. Os gerentes afirmaram, ontem, que o estabelecimento não tem vigias fora do horário de funcionamento e durante o expediente não perceberam qualquer movimentação estranha.
Hoffmann descartou a participação do pedreiro Renato Essy, 34 anos, no suposto atentado. Para o delegado, ele pode ter tropeçado no embrulho onde estava a bomba ao cortar caminho para chegar em casa, distante cerca de 100 metros de onde ocorreu a explosão. O pedreiro teve as duas pernas amputadas e e vários ferimentos no restante do corpo. Segundo boletim médico do Hospital do Trabalhador divulgado ontem, Essy continua internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em estado grave. Ele está sedado, respirando por aparelhos e ainda corre risco de morte.
O promotor Paulo Lima, da Promotoria de Investigações Criminais (PIC), que está trabalhando em conjunto com a polícia nas investigações, acompanhou a perícia do material recolhido da bomba, no Instituto de Criminalística. A ausência de vestígios significativos no local, segundo a PIC, pode indicar o uso de explosivos plásticos e não de pólvora. A bomba seria acionada por um relógio.
A PIC não descarta que o atentado possa ter envolvimento de uma organização criminosa que atua na adulteração de combustíveis, hipótese que já vinha sendo investigada pelo órgão.


