PIC investiga adulteração de gasolina
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quarta-feira, 20 de outubro de 2004
Vera Barão<br>Reportagem Local 
Policiais da Promotoria de Investigações Criminais (PIC) coletaram ontem amostras de gasolina dos oito postos que pertencem a seis empresários presos terça-feira, suspeitos de formação de quadrilha, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e falsificação de documentos. Além dos empresários, os policiais da PIC prenderam também outros sete homens considerados ''laranjas'' que, em tese, têm algum envolvimento com os crimes.
A coleta é uma complementação das investigações, explicou o promotor Leonir Batisti, acrescentando que divulgou ontem o nome do 13º envolvido no esquema. Robson Marques Brito também é apontado como ''laranja'' por ter em seu nome uma das empresas investigadas. ''Esta prisão (do Brito) também ocorreu na terça-feira à tarde, mas por uma falha da promotoria acabamos não divulgando esse nome'', completou Batisti.
Segundo o promotor, as amostras coletadas ontem serão encaminhadas para o Laboratório de Química da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que deve entregar os resultados dentro de 15 dias. Em cada um dos postos foi coletado dois litros de gasolina um deles ficou como contraprova para o próprio posto. ''A coleta foi feita aleatoriamente em uma das bombas de cada um dos postos'', explicou o capitão da Polícia Militar (PM) Júlio Richter, que atua na PIC. Batisti informou que pediu exames na gasolina porque é o tipo de produto que tem uma possibilidade maior de fraude.
A reportagem observou que em algumas das amostras coletadas, a coloração era escura e em uma delas apresentava uma espécie de solvente. ''Visivelmente elas são diferentes, mas somente os resultados dos exames é que vão apontar se essa diferença significa adulteração'', explicou o capitão. Também para complementar as investigações, o promotor solicitou que a Receita Federal verificasse os lacres das bombas, mas nada foi constatado de irregular.
As prisões ocorreram mediante mandados de prisão e também de busca e aprensão expedidos pelo juiz da 1 Vara Criminal, João Clève Machado. Segundo Batisti, dois dos presos garantem que são empresários, mas não tem sequer telefone em suas casas. ''No nome deles há dois postos que pertencem ao empresário Luis Bolognesi'', explicou Batisti.
Segundo o promotor, os demais envolvidos teriam ajudado, de alguma forma, na sonegação de impostos, falsificação de documentos, lavagem de dinheiro entre outros crimes que teriam sido praticados por distribuidoras e revendas de álcool combustível de Londrina. Entre os 'laranjas', há motoristas que buscavam o produto nas usinas e um técnico que manipulava a bomba para adulterar a contagem. ''Esses são os chamados inocentes úteis'', afirmou o promotor.
Para ele, as revendedoras são as principais suspeitas pela prática dos crimes de sonegação e falsificação de documentos. Porém, ressaltou o promotor, toda cadeia de álcool pode estar envolvida.


