A Promotoria de Investigações Criminais (PIC) ofereceu denúncia por formação de quadrilha com características de crime organizado contra cinco empresários do setor de combustíveis. Quatro deles estão presos na Casa de Custódia de Londrina Luís Bolognesi, Maxwell Pavesi, Sérgio Góes, Fábio Ribeiro da Fonseca. O empresário Ciro Renato Santana de Araújo proprietário da Distribuidora Camacuã, cuja matriz é em Guarapuava é considerado foragido da Justiça. Ele está com a prisão temporária decretada pela 1 Vara Criminal. Também permanecem presos os empresários Carlos Roberto Kobayashi, Luciano Monteiro Breda e Nilton Rodrigues da Silva. Fonseca, Breda e Kibayashi prestaram depoimento ontem.
Os promotores investigam o possível envolvimento dos empresários em crime de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e falsificação de documentos. A comprovação desses crimes dependem, segumdo o promotor Leonir Batisti, de levantamentos da Receita Estadual, que está fornecendo documentos à PIC. Segundo Batisti, há fortes indícios de que os empresários se reuniram com o intuito de praticar os crimes contra a ordem tributária, o que motivou o oferecimento de denúncia. A pena prevista para o crime de formação de quadrilha é de um a três anos de reclusão, porém os empresários poderão ser colocados em liberdade hoje, no encerramento do prazo da prisão temporária.
O advogado curitibano Edson Aparecido da Silva, que representa o empresário Ciro Renato Santana de Araújo, está tentando negociar a apresentação dele à Polícia, mas condicina o fato à retirada do pedido de prisão temporária. Ontem, Silva protocolou o pedido na 1Vara Criminal. ''Meu cliente não se recusou em nenhum momento a prestar informações à PIC''. Segundo ele, a Camacuã está sob regime especial do Estado, o que, em hipótese alguma, permitiria que seu cliente vendesse o produto sem nota fiscal.
''As usinas onde a Camacuã compra álcool são obrigadas a informar, através de disquete magnético, a quantidade de álcool adquirido pela distribuidora. A Receita Estadual só fornece as notas fiscais depois que a Camacuã apresentar as notas das vendas. Existe um controle diário'', argumentou o advogado. Ele justifica ainda que seu cliente recolhe imposto sobre operações efetivamente vendidas, enquanto o regulamento de ICMS do Paraná prevê margem de lucro presumida.
Para Batisti, só o fato da empresa estar sob regime especial do Estado significa que já teve problemas. ''Isso porque,no passado, já sonegou demais'', afirmou o promotor. Segundo ele, dados da Receita Estadual apontam que, no período de seis meses, a Camacuã comprou 35 milhões de litros de álcool, dos quais ela deveria recolher mais de R$ 6 milhões de ICMS . ''Porém, ela só recolheu R$ 2,2 milhões''. ''A não ser'', continua ele, ''que a empresa tenha estocado mais de 20 milhões desses 35 milhões de litros de álcool''.

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