Moscou - Em encontro com empresários russos e brasileiros ontem em Moscou, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o PIB crescerá 4% neste ano. Embora a estimativa não seja de todo novidade no Planalto, foi a primeira vez que Lula falou a cifra em público. ''Estamos implementando com êxito uma política que combina crescimento sustentável, estabilidade econômica e distribuição de renda. Como resultado, registramos o maior aumento do PIB em 2004, 4,9%. Este ano, estamos para crescer novos 4%'', declarou na Reunião do Conselho Empresarial Brasil-Rússia. A previsão oficial do governo é de crescimento de 3,5% do PIB neste ano. Analistas vêem alta entre 3,5% e 4%.
A maior parte do discurso no evento empresarial foi dedicada às potencialidades comerciais entre Brasil e Rússia. ''Nosso comércio cresce de forma sustentada. Até agora, gerou US$ 2,4 bilhões, num aumento de 63% em relação ao mesmo período de 2004. Esses números nos animam. Mas nosso comércio está concentrado em poucos produtos... É necessário diversificar o comércio. Precisamos explorar áreas de elevado valor agregado.''
Os governos do Brasil e da Rússia fecharam ontem um acordo que fixa novas regras para a exportação brasileira de carne e de açúcar e o apoio do Brasil ao ingresso da Rússia na Organização Mundial de Comércio (OMC).
Tolerância - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, deixaram ontem a reunião com o presidente russo, Vladimir Putin, dizendo-se muito confiantes com a tolerância dos russos em relação ao embargo que impuseram à importação de carne brasileira devido aos focos de febre aftosa no país.
Lula e Rodrigues afirmaram ter descrito todas as medidas tomadas pelo Brasil para debelar os novos focos, no Mato Grosso do Sul (MS), principal produtor nacional de carne bovina do país, e que a explicação foi bem acolhida pela Rússia, maior compradora do produto. ''O resultado foi excepcional. O Putin teve compreensão do que aconteceu no Brasil com a febre aftosa, e portanto não vai levar isso como em outros tempos'', disse Lula, em alusão ao embargo russo pelo mesmo motivo no ano passado, que durou seis meses e atingiu todos os Estados do País.
O ministro, que chegou a Moscou dizendo não ter ilusões quanto à suspensão imediata do embargo, ontem demonstrava entusiasmo. ''A reação foi muito positiva. Eles mesmo reafirmam a importância de, embora terem todo direito institucional de embargar todos os Estados vizinhos, só terem embargado o MS, numa visão muito clara de temperança nesse processo de negociação, o que nos dá uma esperança de agilizarmos o mecanismo de suspensão do embargo'', disse.

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