PIB tem rombo de 4,17% nas contas externas em 2014
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domingo, 25 de janeiro de 2015
Célia Froufe, Victor Martins e Nivaldo Souza<br> Agência Estado 
Brasília - O rombo das contas externas brasileiras atingiu a marca de 4,17% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano passado, a mais elevada desde 2001. O Banco Central espera uma leve melhora para este ano, mas já projeta um mês de janeiro problemático para as contas que incluem, por exemplo, o desempenho da balança comercial, as remessas de lucros e dividendos, os gastos com viagens ao exterior, seguros e aluguel de equipamentos. O BC prevê um deficit de US$ 10,8 bilhões para este mês.
Em 2014, o deficit da conta corrente chegou a US$ 90,95 bilhões, o maior desde o início da série histórica, em 1947. O principal obstáculo para as contas foi o mau desempenho da balança comercial, que encerrou o ano com um saldo negativo de quase US$ 4 bilhões. O Brasil vendeu menos ao exterior. Mais importante ainda, as commodities, chave para as exportações, perderam valor no ano passado.
O volume tão expressivo das chamadas transações correntes surpreendeu o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale. "O deficit em conta corrente surpreendeu, especialmente no último semestre do ano passado", disse. Ninguém imaginava no começo do ano, segundo ele, que chegaria a quase US$ 91 bilhões. "Esse resultado lembra o período da década de 1990, em que tivemos deficit nessa magnitude". Em 1999, o deficit chegou a 4,3% do PIB.
O chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, avaliou que as condições atuais da economia brasileira são distintas de duas décadas atrás. Os deficits, disse, até podem parecer semelhantes em relação ao PIB, mas o principal passivo do País era a dívida. Hoje, é o Investimento Estrangeiro Direto (IED).
O IED é considerado a melhor forma de financiamento desse deficit, já que são aplicações voltadas para o setor produtivo. No ano passado, houve uma redução do total de recursos desse tipo que chegou ao Brasil - US$ 62,49 bilhões. O volume representou 69% do total do rombo e foi inferior aos US$ 63,99 bilhões de 2013 e aos US$ 65,27 bilhões de 2012. "O IED recuou em 2014, mas ainda mostrou fluxo elevado e de forma disseminada por vários setores da economia", disse Maciel.
Para 2015, o BC projeta um resultado das transações ainda no vermelho, mas menor do que o do ano passado, em US$ 83,5 bilhões. De acordo com Maciel, o comportamento do dólar e a baixa do preço do barril do petróleo no mercado internacional devem ajudar no resultado deste ano. "A balança comercial deve se recuperar relativamente a 2014." Se a estimativa do BC for confirmada, a relação das transações correntes com o PIB cairá para 3,79%.
No primeiro mês do ano, no entanto, é aguardado um deficit de US$ 10,8 bilhões. Maciel lembrou que o volume é alto, mas que é comum o resultado ser mais forte no início dos anos - tanto em 2013 quanto em 2014, o saldo ficou negativo em mais de US$ 11 bilhões em janeiro. A expectativa do BC é de ingressos de US$ 3,2 bilhões de IED no período.
Mesmo com a alta da cotação do dólar, principalmente no segundo semestre de 2014, o brasileiro não abriu mão de viajar ao exterior e ajudou a economia a bater um novo recorde. Os dados do BC mostram que os brasileiros gastaram US$ 25,6 bilhões fora do País no ano passado - acima das despesas de US$ 24,9 bilhões do ano anterior.
Os estrangeiros deixaram por aqui US$ 6,9 bilhões em 2014 na comparação com os US$ 6,7 bilhões de 2013. "Se não fosse a Copa, haveria recuo dos gastos de estrangeiros no Brasil em 2014", disse Maciel. Assim, o saldo líquido da conta de viagens ficou negativo em US$ 18,7 bilhões, o maior da série histórica do BC iniciada em 1947. (Colaborou Igor Gadelha)


